A disputa política em Minas Gerais em 2026 ultrapassa os limites da eleição para governador. Com o segundo maior eleitorado do país, o estado se tornou uma peça estratégica na corrida presidencial e abriga, simultaneamente, diferentes projetos da direita, do centro e da esquerda.
A importância de Minas explica a movimentação dos principais grupos políticos nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua campanha no estado nesta sexta-feira (21), participando de um ato de campanha de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo mineiro, em Belo Horizonte. Patrus havia aceitado disputar o governo após um pedido de Lula.
Do outro lado do espectro político, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, também esteve recentemente em Belo Horizonte. Ele participou de uma caminhada ao lado de Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo mineiro, e de Nikolas Ferreira. O evento teve como objetivo reforçar a presença do partido no estado.
A dificuldade para a direita, entretanto, está na existência de mais de um polo dentro do próprio campo conservador.
Cleitinho Azevedo, do Republicanos, aparece como líder nas pesquisas para o governo estadual. Ao mesmo tempo, o PL lançou Flávio Roscoe e trabalha para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A candidatura de Cleitinho criou uma situação peculiar: embora esteja identificado com o eleitorado de direita, o senador não é controlado politicamente pelo PL e mantém uma trajetória própria.
A divisão ficou evidente durante o debate entre os candidatos ao governo. Cleitinho afirmou que pretende dialogar com o governo federal, enquanto Mateus Simões adotou uma postura mais crítica em relação ao governo Lula. Os candidatos também divergiram sobre dívida pública, privatizações, segurança e investimentos federais em Minas.
Romeu Zema é outro personagem importante nesse tabuleiro. Depois de deixar o Governo de Minas em março para disputar a Presidência pelo Novo, o ex-governador iniciou sua campanha nacional no próprio estado. Em Montes Claros, Zema apresentou a segurança pública como uma das prioridades de sua campanha e criticou ministros do Supremo Tribunal Federal.
O resultado é uma situação incomum: três projetos ligados à direita disputam espaço nacional a partir de Minas. Zema tenta construir uma candidatura presidencial própria; Flávio Bolsonaro busca consolidar o PL; e Cleitinho aparece como uma liderança estadual com capacidade de dialogar com parte do eleitorado conservador sem estar subordinado à estrutura do partido de Bolsonaro.
A esquerda também enfrenta um desafio particular.
Lula conta com Patrus Ananias como candidato ao governo, mas o petista parte de uma posição eleitoral inferior à de Cleitinho nas pesquisas disponíveis. O PT oficializou ainda Marília Campos como candidata ao Senado. O PSB aderiu à chapa de Patrus e indicou Jarbas Soares Júnior para a vice.
A campanha mineira, portanto, funciona como uma espécie de laboratório da eleição presidencial. A força de Lula no estado será medida pela capacidade do PT de transformar a presença do presidente em votos para Patrus e para seus candidatos ao Congresso. Já a direita precisará decidir até que ponto poderá manter candidaturas paralelas sem fragmentar seu eleitorado.
As pesquisas nacionais também ajudam a explicar o interesse pelo estado. Levantamento BTG/Nexus divulgado em agosto mostrou Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Romeu Zema apareceu com 4%. Em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa apontou 47% para Lula e 44% para o adversário, dentro da margem de erro.
Em Minas, porém, a situação é mais complexa. A eleição estadual não reproduz exatamente a polarização nacional. Cleitinho lidera a disputa pelo governo, enquanto candidatos de diferentes campos ideológicos tentam construir uma alternativa. Isso significa que o eleitor mineiro poderá separar seu voto entre diferentes partidos e candidatos.
Essa característica torna Minas especialmente relevante para a eleição presidencial.
Mais do que conquistar o Palácio Tiradentes, os grupos políticos precisam construir palanques capazes de ajudar na disputa nacional. A eleição para governador, Senado e Câmara dos Deputados terá impacto direto na força política de cada grupo dentro do estado.
A campanha começou oficialmente em 16 de agosto. A partir de 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Até o primeiro turno, em 4 de outubro, os candidatos terão pouco mais de um mês para transformar alianças, presença nacional e pesquisas em votos.
Minas, mais uma vez, aparece no centro da política brasileira. E, em 2026, o estado poderá ser decisivo não apenas para escolher seu próximo governador, mas também para definir o equilíbrio de forças que comandará o Brasil a partir de 2027.











