A eleição para o Governo de Minas Gerais começou oficialmente em um cenário de forte fragmentação. Onze candidatos tiveram suas candidaturas registradas para a disputa pelo Palácio Tiradentes, mas o cenário eleitoral apresenta uma concentração maior de intenções de voto em alguns nomes. Entre eles, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece na liderança das pesquisas, seguido por Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e Mateus Simões (PSD).
O quadro ganhou contornos definitivos apenas nos últimos dias do prazo eleitoral. Cleitinho, que havia anunciado inicialmente que não disputaria o governo, voltou atrás e registrou sua candidatura em 15 de agosto, último dia estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro das chapas. O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão foi escolhido como candidato a vice-governador.
A entrada de Cleitinho modificou principalmente o campo da direita. Durante o período em que o senador esteve fora da disputa, o PL lançou Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, como candidato ao governo, com apoio do deputado federal Nikolas Ferreira. Com a confirmação de Cleitinho, os dois passaram a disputar parte do mesmo eleitorado.
O levantamento mais recente da Realtime Big Data divulgado em julho mostra a dimensão da vantagem de Cleitinho. Nas simulações de primeiro turno, o senador aparece com percentuais entre 36% e 38%. Alexandre Kalil registra 15%, enquanto Patrus Ananias aparece com 14%. Mateus Simões fica na faixa de 10% a 11%. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 25 e 29 de julho e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com registro no TSE sob o número MG-06475/2026.
Apesar da vantagem, a pesquisa não permite considerar a eleição decidida. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e a campanha começou oficialmente em 16 de agosto. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.
No campo governista, Mateus Simões tenta transformar a experiência adquirida no comando do Estado em argumento eleitoral. Ele assumiu o governo em março, depois da renúncia de Romeu Zema, que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Simões havia sido eleito vice-governador em 2022.
Do outro lado, Patrus Ananias representa a tentativa do PT de reconstruir uma candidatura competitiva no estado. O partido passou meses negociando outros nomes antes de confirmar o deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte. A chapa petista recebeu o apoio do PSB, que indicou o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior para a vice.
Alexandre Kalil completa o grupo de candidatos que aparece com maior peso nas pesquisas. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-candidato ao governo em 2022, ele tenta recuperar espaço político depois de ter perdido a eleição estadual daquele ano.
A eleição mineira também terá impacto nacional. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente ocupa posição estratégica nas disputas presidenciais. A presença de Cleitinho, que mantém uma relação própria com diferentes setores da direita, torna o estado ainda mais importante para a campanha presidencial.
O principal desafio dos adversários de Cleitinho será transformar a vantagem atual em crescimento durante a campanha. Para isso, deverão disputar temas como segurança pública, saúde, infraestrutura, situação financeira do Estado e relação com o governo federal.
Com onze candidatos oficialmente registrados, o primeiro turno ainda oferece espaço para mudanças. A tendência, entretanto, é de uma disputa marcada por quatro movimentos simultâneos: a tentativa de Cleitinho de manter a liderança, a busca de Kalil e Patrus por uma vaga no segundo turno, a reação de Mateus Simões e a disputa interna do eleitorado de direita entre Cleitinho e Flávio Roscoe.











