Um estudo divulgado nesta quarta-feira (25/03/2026) revela que as atividades no complexo carbonífero de Candiota, no Rio Grande do Sul, podem provocar até 1,3 mil mortes e gerar R$ 11,7 bilhões em custos com saúde até 2040. Os impactos negativos se estenderiam além do Brasil, atingindo Argentina, Paraguai e Uruguai.
O estudo é assinado pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) em parceria com o Instituto Internacional Arayara. A pesquisa considera as 430 mortes já ocorridas entre 2017 e 2025 e projeta 870 mortes entre 2026 e 2040, causadas principalmente pelo material particulado fino (PM2.5) liberado na queima do carvão e em processos de mineração, transporte e manuseio.
Segundo Vera Tattari, analista do CREA e autora principal do relatório, “o carvão não é um contribuinte significativo para a matriz energética do Brasil, mas seus impactos negativos são desproporcionalmente altos”.
O estudo aponta que a exposição ao PM2.5 está relacionada a doenças como câncer de pulmão, DPOC, doenças cardíacas, AVC e diabetes. Crianças, idosos e pessoas com condições de saúde pré-existentes são os mais vulneráveis. Além disso, a poluição pode causar 460 partos prematuros, 270 bebês com baixo peso, aumentar sintomas de asma e gerar 1.730 atendimentos de emergência e 190 novos casos de asma entre crianças até 2040.
O Rio Grande do Sul concentra 53% da produção de carvão do país e 89% das reservas. Em Candiota, operam quatro projetos principais: minas de carvão de Candiota (1,46 MTPA) e Seival Sul (1,6 MTPA), e usinas termelétricas Candiota III (350 MW) e Pampa Sul (345 MW).
O estudo alerta ainda que a continuidade das operações de usinas a carvão compromete os compromissos do Brasil no Acordo de Paris, mesmo com grande potencial em energias renováveis como hidrelétrica, solar e eólica. Para mitigar os efeitos, os pesquisadores recomendam:
- Criar cronograma legal para desativar usinas antes do vencimento das licenças;
- Encerrar subsídios federais e estaduais à mineração e geração a carvão;
- Reforçar fiscalização ambiental e limites de emissão;
- Exigir Avaliações de Impacto à Saúde e análises cumulativas em renovações de licença;
- Garantir transição justa para trabalhadores, com apoio à requalificação e realocação.
A Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS), representante das empresas do setor, declarou que todas as emissões são monitoradas em tempo real, seguindo padrões de segurança estabelecidos pelas autoridades com base na ciência.
O relatório reforça a urgência de políticas públicas para uma transição energética sustentável, reduzindo os impactos do carvão na saúde da população e nos custos econômicos do país.











