O agronegócio de Minas Gerais enfrenta um cenário de pressão financeira, com aumento dos pedidos de recuperação judicial no início de 2026. Segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quarta-feira, 12 de agosto, foram registrados 34 pedidos de recuperação judicial relacionados ao agronegócio mineiro no primeiro trimestre do ano. O número representa o dobro do registrado no trimestre imediatamente anterior, quando foram contabilizados 17 pedidos.
Apesar da alta na comparação trimestral, o número representa uma redução de 40% em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando Minas Gerais havia registrado 57 pedidos. A Serasa, entretanto, alerta que os números precisam ser analisados com cautela, já que existe diferença entre a data em que um processo é protocolado e o momento em que ele aparece nas publicações dos tribunais.
Entre os principais fatores que continuam pressionando os produtores estão o custo elevado de produção, o crédito mais caro e seletivo e o nível de endividamento de parte dos produtores rurais.
No levantamento, 13 pedidos foram apresentados por produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, contra 20 no mesmo período de 2025. Já entre produtores rurais pessoas físicas foram contabilizados 14 pedidos, diante de 31 no primeiro trimestre do ano passado. Empresas ligadas à cadeia do agronegócio apresentaram sete pedidos, contra seis registrados um ano antes.
O cenário de Minas acompanha uma pressão que também aparece em outras regiões produtoras do país. Em todo o Brasil, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial relacionados ao agronegócio no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 21,9% em relação aos 389 pedidos contabilizados no mesmo período de 2025.
Minas Gerais terminou o primeiro trimestre na quinta posição entre os estados brasileiros com maior número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio. O ranking foi liderado por Mato Grosso, com 135 pedidos, seguido por Goiás, com 73, Paraná, com 50, e Mato Grosso do Sul, com 38.
Para especialistas, o resultado não significa necessariamente que o agronegócio mineiro esteja entrando em uma crise generalizada. A redução na comparação anual é um sinal positivo, mas a manutenção dos custos elevados e das dificuldades de acesso ao crédito mostra que muitos produtores ainda trabalham com margens apertadas.
A recomendação para o setor é reforçar o planejamento financeiro, buscar renegociação de dívidas antes que a situação se agrave e acompanhar de perto as condições de crédito disponíveis para a atividade rural.
O cenário mostra que, apesar da força histórica do agronegócio mineiro, produtores de diferentes segmentos continuam enfrentando o desafio de equilibrar custos, financiamento e rentabilidade em um mercado cada vez mais exigente.










