A soja brasileira entrou em setembro em forte movimento de valorização. Nesta semana, os preços da oleaginosa avançaram no mercado nacional acompanhando a alta das cotações internacionais e chegaram a aproximadamente R$ 164 por saca nos portos, segundo levantamentos divulgados pelo mercado.
O movimento ganhou força a partir da terça-feira (1º de setembro de 2026), quando os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago registraram forte alta. O contrato para novembro terminou o pregão acima de US$ 13 por bushel, consolidando um novo patamar para a commodity.
A valorização internacional rapidamente repercutiu no Brasil e abriu uma janela considerada bastante favorável para os produtores que ainda possuem soja para comercializar.
Chicago acima dos US$ 13
A Bolsa de Chicago é uma das principais referências para a formação dos preços da soja no mercado internacional.
A disparada observada no início de setembro foi influenciada principalmente pelas preocupações com as condições das lavouras nos Estados Unidos, pela demanda internacional e pela valorização dos derivados da soja, especialmente o óleo.
Também chamou atenção uma nova venda anunciada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a China. Em 1º de setembro, foram anunciadas 136 mil toneladas de soja da safra 2026/27 destinadas ao mercado chinês.
A China é o principal comprador mundial de soja e seu comportamento tem grande influência sobre as cotações internacionais.
Produtor brasileiro aproveita a alta
No mercado brasileiro, a combinação de fatores criou uma situação considerada positiva para quem ainda tem produto disponível.
Além da valorização em Chicago, os prêmios de exportação permanecem firmes e o dólar apresenta comportamento que ajuda a sustentar as cotações internas.
Segundo levantamento publicado em 3 de setembro, os preços da soja 2026/27 tiveram a melhor semana da temporada até aquele momento, enquanto os negócios avançaram no Brasil. A referência internacional permanecia próxima dos US$ 13 por bushel.
Para o produtor, isso significa uma oportunidade de comercialização em um momento de preços mais elevados.
Analistas, porém, recomendam cautela. O mercado de commodities pode mudar rapidamente diante de alterações no clima, nas projeções de produção e principalmente no comportamento da demanda chinesa.
Brasil mantém produção recorde
A valorização ocorre justamente depois de uma safra brasileira de soja com produção muito elevada.
De acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 13 de agosto de 2026, a produção brasileira de soja na safra 2025/26 foi estimada em 180,5 milhões de toneladas, aumento de 5,2% em relação à temporada anterior.
O resultado reforça a posição do Brasil como um dos principais protagonistas do mercado mundial da oleaginosa.
Mesmo com uma produção elevada, a demanda internacional e o comportamento das bolsas podem manter os preços sustentados.
Exportações também avançam
Outro fator importante para o mercado brasileiro é o ritmo das exportações.
Segundo o Boletim Logístico da Conab publicado em 28 de agosto de 2026, os embarques brasileiros de soja cresceram 7,8% no acumulado até julho, na comparação com o mesmo período de 2025.
O chamado Arco Norte teve participação importante no escoamento da produção brasileira, com crescimento da movimentação pelos principais corredores logísticos do país.
A expansão das exportações mostra que o Brasil continua aproveitando a forte demanda internacional pela oleaginosa.
Por que a soja subiu tanto?
O movimento atual resulta de uma combinação de fatores:
- Chicago acima de US$ 13 por bushel;
- preocupação com as condições das lavouras norte-americanas;
- demanda internacional firme;
- novas compras chinesas;
- valorização do óleo de soja;
- prêmios de exportação sustentados;
- dólar ajudando a formação dos preços no mercado brasileiro.
Essa combinação criou uma das melhores oportunidades recentes para a comercialização da soja brasileira.
Alta pode continuar?
A resposta ainda depende de vários fatores.
O mercado continuará acompanhando principalmente o clima nos Estados Unidos durante a definição da safra norte-americana, os números de produtividade, o comportamento das compras chinesas e as próximas projeções de oferta e demanda.
Analistas ouvidos pelo mercado avaliam que os fundamentos continuam favoráveis, mas alertam que a soja pode apresentar forte volatilidade.
Para o produtor brasileiro, portanto, o cenário atual representa uma oportunidade, mas também exige atenção para evitar decisões baseadas apenas na alta de curto prazo.
Brasil segue como protagonista
Com uma produção estimada em 180,5 milhões de toneladas, exportações em crescimento e preços próximos dos melhores níveis recentes, a soja volta a ocupar o centro das atenções do agronegócio brasileiro.
A combinação entre produção recorde, demanda internacional e valorização em Chicago mantém a commodity entre os principais produtos responsáveis pela força do agronegócio brasileiro no comércio exterior.











