O Brasil caminha para registrar, em 2026, a maior safra de café de sua história. A produção nacional está estimada em 67,6 milhões de sacas de 60 quilos, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quinta-feira (24).
O volume representa crescimento de 19,6% em relação à safra de 2025 e é o maior já registrado na série histórica da Conab, que acompanha a produção brasileira de café desde 2001. A estimativa considera que cerca de 99% da área destinada à cultura já havia sido colhida.
De acordo com a companhia, o resultado é explicado principalmente pelo ciclo de bienalidade positiva do café arábica, pelo aumento da área em produção, pela melhora da produtividade média e pelo uso crescente de tecnologias nos sistemas de cultivo.
Arábica puxa crescimento da produção
O café arábica, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional, deve alcançar 48,2 milhões de sacas em 2026. O número representa uma alta de 34,8% em relação ao ano passado.
Minas Gerais aparece como principal destaque. O estado deve produzir 34,96 milhões de sacas de café arábica, sendo que as regiões Sul e Centro-Oeste de Minas respondem por aproximadamente 15,93 milhões de sacas.
Segundo a Conab, a distribuição mais regular das chuvas antes da floração e as condições climáticas favoráveis até março contribuíram para uma boa formação dos frutos nas lavouras mineiras.
São Paulo também apresenta uma projeção expressiva, com 6,19 milhões de sacas de arábica. O desempenho é associado às chuvas regulares e às temperaturas amenas registradas ao longo do ciclo.
Conilon tem desempenho diferente
Enquanto o arábica avança, o café conilon deve registrar redução na produção nacional.
A estimativa da Conab é de 19,4 milhões de sacas de conilon em 2026, queda de 6,6% na comparação com a temporada anterior.
O Espírito Santo, principal produtor brasileiro da variedade, deve produzir cerca de 12,1 milhões de sacas, uma redução de 14,3%. Segundo a Conab, temperaturas mais baixas durante o período de floração provocaram irregularidades nas lavouras e afetaram a produtividade.
Mesmo com a retração do conilon, o forte crescimento do arábica garante o avanço da produção total brasileira.
Área e produtividade também aumentaram
Além da bienalidade positiva, a expansão da área em produção e o ganho de produtividade contribuíram para o resultado.
A área brasileira em produção deve chegar a aproximadamente 1,95 milhão de hectares, crescimento de 5,1% em relação a 2025.
Já a produtividade média nacional passou de 30,4 para 34,6 sacas por hectare, avanço de 13,8%.
A Conab relaciona parte desse ganho ao uso de novas tecnologias e a melhores condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Produção maior aumenta oferta no mercado
A safra recorde ocorre em um momento de aumento da oferta internacional de café. A Conab avalia que a entrada da produção brasileira, somada às perspectivas de recuperação das lavouras do Vietnã e da Colômbia, exerce pressão sobre as cotações internacionais.
Ao mesmo tempo, a demanda mundial continua crescendo. Para a temporada 2026/27, a estimativa é de consumo global de 179,7 milhões de sacas, alta de 3,6% sobre o ciclo anterior.
A combinação entre aumento da produção, demanda internacional e nível dos estoques será determinante para o comportamento dos preços nos próximos meses. A Conab também destaca que possíveis efeitos do fenômeno El Niño podem influenciar a produção em diferentes países produtores.
Com a maior safra de sua série histórica, o Brasil reforça a posição de liderança na produção mundial de café e entra no próximo ciclo com uma oferta significativamente maior do grão.











