A carne bovina brasileira que ultrapassar a cota estabelecida pela China passou a enfrentar uma cobrança adicional de 55% a partir de outubro. Somada à tarifa de importação de 12% que já era aplicada, a carga tributária chega a 67% para os volumes que excederem o limite definido para o Brasil.
A mudança ocorre depois de o país atingir a sua cota anual de exportação para o mercado chinês. Para 2026, o limite destinado ao Brasil foi estabelecido em 1,106 milhão de toneladas.
A medida faz parte do mecanismo de salvaguarda adotado pela China para controlar o crescimento das importações de carne bovina e proteger o mercado interno. A regra não é exclusiva do Brasil e também estabelece limites para outros países fornecedores.
China é o principal mercado da carne brasileira
A China ocupa uma posição central nas exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, o país asiático respondeu por uma parcela significativa das vendas externas brasileiras, o que aumenta a preocupação de frigoríficos e produtores diante da elevação dos custos para os embarques que ficarem acima da cota.
Com a sobretaxa, empresas brasileiras precisam avaliar se ainda é viável manter determinados embarques para o mercado chinês ou se será necessário direcionar parte da produção para outros destinos.
Dados divulgados pelo setor mostram que o Brasil ampliou fortemente sua presença na China ao longo da última década. O crescimento das exportações transformou o país asiático no principal comprador da carne bovina brasileira.
Cota de 2027 será maior
O limite previsto para o Brasil em 2027 será superior ao estabelecido para este ano. A cota deverá passar de 1,106 milhão para 1,128 milhão de toneladas.
Mesmo com o aumento, representantes do setor trabalham com a possibilidade de que o novo volume seja utilizado rapidamente, dependendo do ritmo das compras chinesas.
Por isso, frigoríficos estudam antecipar parte das operações para o início do próximo ano. A estratégia envolve programar abates, embarques marítimos e a chegada da mercadoria ao mercado chinês já durante os primeiros meses de 2027.
Setor busca alternativas
A possibilidade de utilizar volumes disponíveis de outros países também entrou nas discussões entre autoridades brasileiras e chinesas. O governo brasileiro tenta encontrar alternativas para reduzir os efeitos do esgotamento da cota nacional.
Entre as possibilidades discutidas está o aproveitamento de eventuais volumes não utilizados por outros fornecedores. No entanto, a utilização dessas cotas depende da autorização das autoridades chinesas.
Enquanto as negociações avançam, empresas brasileiras também avaliam ampliar ou reforçar a presença em outros mercados consumidores.
China amplia controle sobre as importações
A política adotada por Pequim ocorre em um cenário de aumento das importações chinesas de carne bovina e de pressão sobre os produtores locais.
A China estabeleceu o sistema de cotas como parte de uma política de salvaguarda. Dentro do limite definido para cada país, permanece a tarifa regular. Depois do esgotamento da quantidade autorizada, passa a valer a cobrança adicional.
No caso brasileiro, portanto, a tarifa de 67% não representa uma cobrança sobre toda a carne exportada para a China. Ela se aplica aos volumes que excedem a cota estabelecida para o país.
Novas plantas brasileiras são autorizadas
Mesmo com a aplicação da sobretaxa, a China continua ampliando o número de estabelecimentos brasileiros autorizados a vender carne ao seu mercado.
No fim de setembro, autoridades chinesas aprovaram novas unidades brasileiras para exportação, incluindo frigoríficos de Minas Gerais e Pernambuco. A autorização amplia o número de empresas habilitadas, mas não altera o limite anual destinado ao Brasil.
O cenário coloca o agronegócio brasileiro diante de uma nova etapa nas relações comerciais com o maior comprador da carne bovina nacional. O comportamento das compras chinesas, as negociações sobre as cotas e a capacidade dos frigoríficos de encontrar novos destinos deverão influenciar o desempenho das exportações nos próximos meses.











