Em muitas famílias brasileiras, as mulheres assumem a maior parte do cuidado de pessoas com autismo, revela o Mapa do Autismo no Brasil, produzido pelo Instituto Autismos. O levantamento, que ouviu 23.632 pessoas de todos os estados, mostra que a maior parte das cuidadoras não está inserida no mercado de trabalho, refletindo a dedicação intensa exigida pelo acompanhamento diário.
A história de Anaiara Ribeiro, advogada de 43 anos, ilustra essa realidade. Ela acompanhou de perto o crescimento do filho João, diagnosticado com autismo leve a moderado aos 8 anos, desde a primeira infância. Para dar o suporte necessário, Anaiara abriu mão do emprego formal e passou a trabalhar como autônoma, conciliando consultas médicas, terapias e o cotidiano do filho.
O estudo também indica um avanço positivo: o diagnóstico de autismo vem ocorrendo cada vez mais cedo, com média em torno de 4 anos, alinhada a padrões internacionais. Diagnósticos precoces são fundamentais para otimizar tratamentos e estimular o desenvolvimento da pessoa autista.
O levantamento aponta ainda que famílias gastam mais de R$ 1 mil mensais em terapias, sendo que muitas recorrem a planos de saúde. As regiões Norte e Nordeste dependem mais do sistema público para atendimento especializado.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que está investindo R$ 83 milhões para ampliar a rede de atendimento, com 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e transporte adaptado, fortalecendo a assistência a pessoas com transtorno do espectro autista no SUS.
Além disso, o mapeamento fornecerá recomendações aos governos federal e estaduais para melhorar o atendimento e aumentar a conscientização sobre o autismo. No Brasil, estima-se que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas, segundo dados do IBGE.
Para Anaiara, o cuidado e a inclusão são uma prioridade. Hoje, ela acompanha o filho em todas as atividades e celebra conquistas como o ingresso de João na faculdade. “Nada faria sentido se não fosse para ver a felicidade dele e o seu crescimento”, afirma a mãe.











