Portugal enfrenta um período crítico de mau tempo desde terça-feira, 03 de fevereiro, com chuvas persistentes, ventos fortes e risco de inundações em várias regiões. O país ainda sente os efeitos da tempestade Kristin, que atingiu o território entre 28 de janeiro e 02 de fevereiro, e agora é impactado pelo sistema Leonardo, que intensifica os danos. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a previsão de estiagem só ocorre na segunda-feira, 09 de fevereiro.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) colocou Portugal em estado de prontidão especial 4, mobilizando 100% da capacidade operacional dos agentes, frente à situação considerada muito complexa, com risco elevado de cheias, deslizamentos, ventos fortes e agitação marítima. Segundo o comandante nacional de emergência, Mário Silvestre, “a combinação das tempestades Kristin e Leonardo representa um desafio sem precedentes para a proteção civil e a população”.
Impactos das tempestades Kristin e Leonardo
A tempestade Kristin, que atingiu o país no início da semana, provocou:
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Queda de árvores e postes, bloqueando ruas e rodovias;
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Danos estruturais em residências e edifícios, principalmente em regiões costeiras;
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Pelo menos uma morte confirmada em Vila Franca de Xira, causada por ventos fortes;
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Inundações em cidades de Leiria, Coimbra e Santarém;
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Saturação do solo, aumentando o risco de deslizamentos em áreas urbanas e rurais.
Sem tempo para recuperação, o país foi atingido pelo sistema Leonardo, trazendo:
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Chuvas intensas e contínuas desde 15h de terça-feira, 03/02;
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Ventos fortes, com rajadas de até 95 km/h;
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Ondas de até 11 metros no litoral;
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Neve nas regiões mais frias do Norte e Centro;
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Rios transbordando, causando cheias rápidas e danos a residências e infraestrutura urbana.
Quase todas as cidades dos distritos de Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Setúbal e Aveiro permanecem em estado de calamidade, pelo menos até 8 de fevereiro.
Mais de 100 mil pessoas sem energia
Nesta quarta-feira, 04/02, mais de 100 mil pessoas seguem sem energia elétrica, especialmente nos municípios de Leiria, Santarém, Castelo Branco e Coimbra. Em várias localidades, a energia e as telecomunicações funcionam de forma intermitente, prejudicando moradores e serviços essenciais.
Em São Jorge, município de Porto de Mós, um residente que retornou da França relatou que o telhado de sua casa foi arrancado. Em Maiorga, Alcobaça, outro morador, que viveu nos Estados Unidos, afirmou nunca ter vivenciado uma chuva tão intensa em Portugal, e que enfrenta dificuldades para se manter devido à interrupção de energia e danos materiais.
Declarações de especialistas
O climatologista Duarte Costa alerta sobre a gravidade do cenário:
“Portugal precisa estar preparado para o que ainda vai enfrentar. A intensidade e a continuidade das chuvas podem provocar situações graves se não houver cautela e prevenção.”
Segundo especialistas em alterações climáticas, a sequência de tempestades seguidas por Leonardo representa um evento extremo, com impactos sociais, econômicos e ambientais significativos, exigindo atenção máxima das autoridades e da população.
Recomendações da Proteção Civil
A ANEPC reforça que a população deve:
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Evitar deslocamentos desnecessários, especialmente em áreas sujeitas a cheias ou deslizamentos;
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Não atravessar ruas inundadas e manter distância de rios e cursos de água;
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Preparar kits de emergência com água, alimentos, lanternas, pilhas e documentos importantes;
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Acompanhar em tempo real os avisos oficiais do IPMA e da ANEPC.











