O mais recente levantamento do Sistema de Segurança Interna, conhecido como RASI 2025, revela que Portugal continua inserido nas rotas do tráfico de seres humanos, com forte presença de vítimas estrangeiras entre elas, brasileiros em destaque.
Segundo o relatório, foram identificadas 191 vítimas de tráfico humano em território português. Deste total, 125 pessoas o equivalente a 65% foram exploradas em atividades laborais, muitas vezes em condições degradantes e comparáveis à escravidão moderna.
Os setores mais afetados incluem agricultura, construção civil, hotelaria, restauração, atividades esportivas e trabalho doméstico. As ocorrências concentram-se principalmente nas regiões de Faro, no Algarve; Beja, no Alentejo; e Setúbal, na área metropolitana de Lisboa.
Entre os casos de exploração laboral, os brasileiros representam a maior fatia entre as nacionalidades identificadas: 27 vítimas, correspondendo a 22% do total. Na sequência aparecem cidadãos da Índia, com 12%, e de Timor-Leste, com 10%. O relatório também aponta que seis cidadãos portugueses foram vítimas desse tipo de crime.
As autoridades destacam que os métodos utilizados por redes criminosas seguem um padrão já conhecido: promessas de emprego com salários atrativos, oferta de alojamento e facilidades na chegada ao país. Após o recrutamento, as vítimas passam a enfrentar retenção de documentos, ausência de pagamento, vigilância constante e, em muitos casos, violência física e sexual.
No que diz respeito à exploração sexual, foram identificadas 22 vítimas, sendo a maioria estrangeira. Desse grupo, 14 são brasileiras, o que representa 63% dos casos. As ocorrências foram registadas sobretudo nas cidades de Braga, no Norte, e Coimbra, na região Centro.
O relatório também chama atenção para a vulnerabilidade de menores. Ao todo, 25 crianças e adolescentes foram identificados como vítimas de tráfico humano, com média de idade de 9 anos. Entre as nacionalidades mais afetadas estão crianças da República Democrática do Congo, Moldávia e Angola. Esses casos estão frequentemente ligados a práticas como adoção irregular e exploração laboral.
As autoridades portuguesas reforçam a necessidade de vigilância e denúncia, destacando que o tráfico de pessoas continua sendo uma ameaça significativa, especialmente para imigrantes em situação de fragilidade social.
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