Nascido em Santos e formado em Direito e Teologia o magistrado chegou ao Supremo indicado por Jair Bolsonaro e construiu carreira no serviço público antes de assumir uma das cadeiras mais importantes do país.
André Luiz de Almeida Mendonça, atualmente um dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao centro do debate nacional em setembro de 2026 por causa de sua atuação em investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Mas, antes de chegar à mais alta Corte do país, Mendonça construiu uma trajetória que passou pelo serviço público, pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Ministério da Justiça.
A história do ministro também tem uma característica que o diferencia de grande parte dos integrantes do Judiciário brasileiro: além da formação jurídica, Mendonça possui formação em Teologia e atua como pastor da Igreja Presbiteriana.
Onde nasceu André Mendonça?
André Mendonça nasceu em Santos, no litoral de São Paulo, em 27 de dezembro de 1972.
Em setembro de 2026, o ministro tem 53 anos.
Sua origem paulista é uma das primeiras marcas de sua trajetória. Décadas depois de nascer em Santos, ele chegaria ao principal tribunal do país e passaria a participar de decisões que influenciam diretamente a política e a vida institucional brasileira.
Quem é a esposa de André Mendonça?
André Mendonça é casado com Janey Nagliatti de Mendonça.
O casal tem dois filhos. A família, porém, mantém uma exposição pública relativamente discreta quando comparada à presença do ministro na vida política e institucional brasileira.
Janey também esteve ligada ao Instituto Iter, organização fundada por Mendonça antes de sua atual fase de questionamentos públicos.
Em setembro de 2026, o ministro anunciou sua saída da sociedade do instituto. A esposa também deixou a estrutura societária, segundo as informações divulgadas sobre a decisão.
Formação em Direito e Teologia
A formação de Mendonça vai além do Direito.
O ministro é bacharel em Direito e possui especializações e pós-graduações na área jurídica. Também estudou Teologia, uma área que posteriormente passou a fazer parte de sua atuação religiosa.
Mendonça possui mestrado e doutorado em Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, além de formação teológica.
Essa combinação entre Direito e religião acompanhou sua trajetória profissional.
Mendonça tornou-se pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, reforçando uma característica que já fazia parte de sua identidade pública antes de sua chegada ao STF.
A entrada no serviço público
Antes de ocupar cargos de destaque em Brasília, Mendonça ingressou na Advocacia-Geral da União por concurso público.
Sua carreira na AGU começou em 2000.
Ao longo dos anos, passou a atuar em questões relacionadas ao Direito Público e ao combate à corrupção, construindo experiência dentro da administração federal.
Entre 2010 e 2013, também participou do Conselho da Transparência e Combate à Corrupção.
A experiência acumulada no serviço público seria determinante para os cargos que ocuparia posteriormente durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Passagem pela Controladoria-Geral da União
Entre 2016 e 2018, durante o governo Michel Temer, Mendonça atuou como assessor especial na então Controladoria-Geral da União.
Nesse período, participou de trabalhos relacionados ao combate à corrupção e à negociação de acordos de leniência.
A atuação ajudou a consolidar seu perfil como especialista em Direito Público e integridade na administração pública.
O salto para o governo Bolsonaro
A carreira de Mendonça ganhou uma nova dimensão durante o governo de Jair Bolsonaro.
Em janeiro de 2019, ele assumiu o cargo de advogado-geral da União.
A posição colocou o jurista no centro de importantes disputas jurídicas envolvendo o governo federal e o Supremo Tribunal Federal.
Mendonça permaneceu no comando da AGU até abril de 2020.
Ministro da Justiça
Em abril de 2020, Mendonça foi escolhido por Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ele substituiu Sergio Moro, que havia deixado o governo.
A passagem pelo ministério durou aproximadamente um ano.
Em março de 2021, Mendonça deixou a pasta e retornou à Advocacia-Geral da União.
Foi durante esse período que sua proximidade com o governo Bolsonaro passou a ter maior peso político.
A indicação para o Supremo Tribunal Federal
Em julho de 2021, Jair Bolsonaro indicou André Mendonça para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
A indicação ficou marcada pela declaração de Bolsonaro de que pretendia escolher para o STF alguém que fosse “terrivelmente evangélico”.
Mendonça tinha justamente esse perfil: jurista, integrante da carreira pública e pastor presbiteriano.
Depois de passar pelo processo de aprovação no Senado, ele tomou posse como ministro do STF em 16 de dezembro de 2021.
Mendonça ocupou a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.
Como é a atuação de Mendonça no STF?
No Supremo, Mendonça passou a participar de julgamentos envolvendo temas constitucionais, políticos, econômicos e sociais.
Seu perfil é frequentemente associado a uma postura mais conservadora em determinadas pautas, embora suas decisões variem conforme o processo e os argumentos jurídicos apresentados.
Em 2024, ele também passou a integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sucedendo Alexandre de Moraes na composição da Corte eleitoral.
O ministro e a religião
A religião ocupa um espaço importante na trajetória pessoal de Mendonça.
Além da formação jurídica, ele estudou Teologia e tornou-se pastor da Igreja Presbiteriana.
A ligação com a comunidade evangélica foi inclusive um dos fatores que marcaram sua indicação ao Supremo em 2021.
Apesar disso, como ministro do STF, Mendonça tem obrigação constitucional de exercer a função com independência e fundamentar suas decisões nos processos submetidos à Corte.
O Instituto Iter
Antes de entrar no atual período de questionamentos, Mendonça também esteve ligado a uma iniciativa privada na área de educação executiva.
O Instituto Iter foi fundado por Mendonça e passou a oferecer cursos e capacitações profissionais.
O instituto posteriormente recebeu contratos de órgãos públicos, o que provocou questionamentos em 2026.
Segundo dados divulgados recentemente, a organização recebeu milhões de reais em contratos com instituições públicas desde sua criação.
Após a repercussão, Mendonça anunciou sua saída da sociedade e informou que suas quotas e as da esposa seriam transferidas sem contrapartida financeira. O instituto deverá ser transformado em uma entidade sem fins lucrativos, enquanto o ministro permanecerá ligado à instituição como professor.
A relação com Daniel Vorcaro
É justamente a ligação do Instituto Iter com um episódio envolvendo Daniel Vorcaro que colocou um novo capítulo na trajetória de Mendonça sob os holofotes.
Em março de 2025, Mendonça recebeu Vorcaro, então controlador do Banco Master.
O ministro confirmou posteriormente que o encontro aconteceu uma única vez e que foi procurado pelo empresário.
Segundo Mendonça, ele ouviu Vorcaro e a conversa estava relacionada a questões envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master.
O ministro afirma que posteriormente tomou decisão contrária aos interesses defendidos pelo empresário em processo relacionado ao tema.
Por que Mendonça está novamente no centro do debate?
Em setembro de 2026, a situação ganhou outra dimensão.
Mendonça passou a conduzir procedimentos relacionados ao caso Banco Master e determinou a divulgação de informações obtidas nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro.
Entre os materiais analisados estavam mensagens que envolviam autoridades públicas.
A decisão provocou reação dentro do próprio Supremo e levou a novos questionamentos sobre a forma como a investigação foi conduzida.
O ministro Alexandre de Moraes pediu que a atuação de Mendonça fosse analisada, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, abriu procedimento para colher esclarecimentos.
Mendonça, por sua vez, defende a legalidade de sua atuação e sustenta que os novos elementos devem ser analisados pelo plenário do Supremo.
Um personagem que mudou de posição ao longo da carreira
A trajetória de André Mendonça mostra uma passagem por diferentes espaços de poder.
Ele começou como advogado público concursado, passou por órgãos de controle, ocupou a Advocacia-Geral da União, comandou o Ministério da Justiça e posteriormente chegou ao Supremo Tribunal Federal.
Em menos de três décadas, saiu de uma carreira técnica no serviço público para uma posição entre os 11 magistrados responsáveis por decisões da mais alta Corte brasileira.
Sua trajetória também mistura três dimensões que raramente aparecem reunidas com tanta força em uma mesma biografia: Direito, política e religião.
Foi justamente essa combinação que tornou sua indicação ao STF particularmente simbólica em 2021.
Agora, em 2026, Mendonça volta ao centro das atenções por uma razão diferente: sua atuação como ministro do Supremo no caso Banco Master e os questionamentos institucionais que surgiram a partir dela.
André Mendonça em números
Nome completo: André Luiz de Almeida Mendonça
Nascimento: 27 de dezembro de 1972
Cidade natal: Santos, São Paulo
Idade: 53 anos
Profissão: Jurista e ministro do Supremo Tribunal Federal
Esposa: Janey Nagliatti de Mendonça
Filhos: dois
Formação: Direito e Teologia
Doutorado: Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha
Entrada na AGU: 2000
Advogado-geral da União: 2019–2020 e 2021
Ministro da Justiça: 2020–2021
Indicação ao STF: julho de 2021
Posse no STF: 16 de dezembro de 2021
Religião: presbiteriana
Atuação religiosa: pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros
Da cidade de Santos à mais alta Corte do país
A história de André Mendonça começou em Santos, no litoral paulista, em 1972.
Mais de cinco décadas depois, ele ocupa uma das posições de maior poder institucional do Brasil.
Entre esses dois momentos estão uma carreira construída por concurso público, passagens pelo governo federal, a experiência como ministro da Justiça, uma indicação presidencial e uma aprovação pelo Senado.
Hoje, aos 53 anos, Mendonça está novamente no centro do debate nacional.
Desta vez, não apenas pelo voto em processos do Supremo, mas pela própria condução de uma investigação que colocou diferentes integrantes das instituições brasileiras sob escrutínio.
O desfecho desse episódio ainda está em construção.
O que já está consolidado, entretanto, é uma trajetória que levou um jurista nascido em Santos a ocupar uma das cadeiras mais importantes da Justiça brasileira.











