A prévia da inflação brasileira desacelerou em outubro, mas os preços de alimentos importantes na mesa dos brasileiros continuaram a pressionar o orçamento das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% no mês, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (23).
O resultado representa uma desaceleração em relação a setembro, quando o indicador havia subido 0,70%. Apesar disso, os preços não apresentaram o mesmo comportamento em todos os setores da economia. Alguns alimentos registraram aumentos expressivos, enquanto outros produtos e serviços ficaram mais baratos.
No acumulado de 2026, o IPCA-15 chegou a 4,15%. Já em 12 meses, a variação atingiu 4,62%.
Tomate registra alta de 24,54%
Entre os produtos que mais chamaram a atenção na divulgação de outubro está o tomate, com aumento de 24,54% no período pesquisado. A cebola também apresentou forte elevação, de 13,63%, seguida pela batata-inglesa, que subiu 10,96%.
O arroz registrou alta de 5,80%, ampliando a pressão sobre os gastos com alimentação.
Os números ajudam a explicar por que a redução da inflação geral nem sempre é percebida imediatamente pelos consumidores. Quando produtos comprados com frequência ficam mais caros, o valor final das compras pode aumentar, mesmo que outros itens apresentem queda.
Confira as variações dos alimentos destacados pelo IBGE:
- Tomate: +24,54%.
- Cebola: +13,63%.
- Batata-inglesa: +10,96%.
- Arroz: +5,80%.
Na direção contrária, a cenoura apresentou queda de 10,67%. As frutas recuaram 1,37%, enquanto o café moído ficou 1,16% mais barato.
As variações correspondem às médias apuradas pelo indicador e podem ser diferentes dos preços encontrados em cada supermercado, feira ou município.
Alimentação dentro de casa sobe 1,01%
O grupo de alimentação e bebidas registrou aumento de 0,88% em outubro. Entre os produtos consumidos dentro de casa, a alta chegou a 1,01%, de acordo com o levantamento.
O resultado mostra que a alimentação continua sendo um dos componentes importantes para acompanhar a evolução do custo de vida no país.
O impacto varia conforme os hábitos de cada família. Quem compra regularmente os produtos que tiveram maiores aumentos pode sentir uma pressão maior no orçamento, enquanto consumidores que encontram alternativas mais baratas ou aproveitam itens em queda podem ter uma experiência diferente.
Por esse motivo, a desaceleração do índice geral não significa necessariamente que as famílias estejam gastando menos no supermercado.
Energia elétrica ajuda a conter a inflação
Enquanto os alimentos pressionaram os preços, alguns componentes contribuíram para reduzir o resultado geral de outubro.
O grupo Habitação apresentou queda de 0,10%. Entre os fatores apontados está a redução de 0,89% na energia elétrica residencial, relacionada à mudança da bandeira tarifária amarela para a verde, que retirou a cobrança adicional aplicada anteriormente.
As passagens aéreas também ficaram mais baratas, com recuo médio de 9,24%.
Nos combustíveis, entretanto, houve aumentos. O óleo diesel subiu 3,70%, o etanol avançou 2,73% e a gasolina registrou alta de 0,92%.
Essa diferença entre os setores ajuda a compreender por que a inflação pode desacelerar mesmo quando determinados produtos apresentam aumentos significativos.
O que é o IPCA-15?
O IPCA-15 é um indicador calculado pelo IBGE que antecipa uma parte das informações sobre a inflação oficial brasileira. A metodologia é semelhante à do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas os períodos de coleta dos preços são diferentes.
O indicador acompanha a variação de preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos, abrangendo diferentes regiões metropolitanas e outras áreas urbanas do país.
Na divulgação de outubro de 2026, a coleta de preços ocorreu entre 16 de setembro e 14 de outubro.
O IPCA-15 não representa exatamente o aumento das despesas de todas as famílias, porque os hábitos de consumo, os rendimentos e os preços locais variam de uma região para outra.
Quando sai a inflação oficial de outubro?
O resultado do IPCA-15 funciona como uma prévia. A inflação oficial de outubro será conhecida com a divulgação do IPCA referente ao mês completo.
Segundo o calendário informado para a divulgação, o resultado está previsto para 12 de novembro de 2026.
Até lá, os dados de outubro oferecem um panorama da evolução dos preços e mostram quais despesas estão contribuindo para pressionar o orçamento dos brasileiros.
Para acompanhar a inflação, os consumidores podem consultar as divulgações oficiais do IBGE e comparar os preços praticados nos estabelecimentos de sua região.











