O documentário “Anatomia do Caos”, dirigido por Dandara Ferreira, chega às salas de cinema nesta quinta-feira (2) e revisita os bastidores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, instalada no Senado Federal em 2021 para investigar possíveis irregularidades e omissões no enfrentamento da crise da covid-19 no Brasil.
A produção se propõe a ir além do registro político e apresenta uma reflexão sobre memória, responsabilidade e os impactos sociais da pandemia, que deixou mais de 716 mil mortos no país, segundo dados oficiais.
Durante a investigação parlamentar, a CPI resultou em 77 indiciamentos, mas não houve prisões ou condenações diretas, o que segue sendo motivo de debate público e jurídico até hoje. Para a diretora, o material reunido durante o processo representa um importante registro histórico do período.
Dandara Ferreira afirma que o filme busca provocar uma reflexão sobre a forma como o país lida com a própria memória. Segundo ela, compreender tragédias de grande escala é essencial para o avanço da sociedade e para evitar a repetição de erros.
A cineasta destaca ainda que, embora a CPI não tenha resultado em punições imediatas, a comissão teve papel relevante ao ampliar o debate público, pressionar instituições e acelerar discussões relacionadas à vacinação e ao enfrentamento da pandemia.
O documentário também aborda o impacto político e institucional das investigações, além de questionar os limites entre a apuração parlamentar e a responsabilização judicial, que depende de outras esferas do Estado.
Dandara Ferreira conta que decidiu acompanhar presencialmente os trabalhos da CPI em Brasília, mesmo durante o período mais crítico da pandemia, quando ainda não havia vacinação disponível para toda a população. Segundo ela, a experiência foi marcada por registros intensos e pela tentativa de captar, de forma direta, o ambiente político daquele momento.
Com uma abordagem mais documental e de observação, a diretora utilizou imagens captadas em condições simples, destacando o caráter espontâneo e “de guerrilha” da produção. O foco principal, segundo ela, não foi a estética, mas o conteúdo histórico e político registrado ao longo do processo.
Ao longo do filme, “Anatomia do Caos” também discute o papel da memória coletiva e a importância de preservar registros históricos como forma de compreensão do presente. Para a diretora, esquecer uma tragédia não significa superá-la, e sim correr o risco de repeti-la.
A produção reforça ainda que a pandemia de covid-19 no Brasil teve impactos profundos na sociedade, na política e nas instituições, e que os efeitos desse período continuam presentes no debate público atual.










