A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (31) a suspensão temporária das importações de carne bovina, carne de aves, ovos e mel provenientes do Brasil. A medida entra em vigor na quinta-feira e permanecerá em vigor até que as autoridades brasileiras apresentem garantias consideradas suficientes para atender às normas sanitárias do bloco europeu.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda não teria demonstrado de forma satisfatória que seus produtos cumprem todas as exigências relacionadas ao controle do uso de antibióticos e outros antimicrobianos na produção animal.
Apesar da decisão, a Comissão Europeia destacou que o Brasil continua sendo um parceiro comercial relevante e afirmou que mantém diálogo com as autoridades brasileiras para solucionar as pendências. A retomada das exportações poderá ocorrer depois que Bruxelas considerar comprovado o cumprimento das regras.
Auditoria pode definir retomada das exportações de aves e mel
Uma auditoria relacionada à produção de aves e mel já está em andamento e tem previsão de conclusão na sexta-feira.
Caso a avaliação seja considerada satisfatória e os países integrantes do bloco autorizem a retomada, os embarques de carne de aves brasileira poderão voltar a ocorrer nas semanas seguintes.
Para a carne bovina, entretanto, o processo pode levar mais tempo. A Comissão Europeia explicou que os prazos necessários para comprovar a adequação às exigências variam conforme as características de produção de cada espécie.
Brasil tem forte presença no mercado europeu
A decisão representa um possível impacto importante para o comércio exterior brasileiro. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a União Europeia, com mais de 92 mil toneladas exportadas.
O valor dessas vendas ultrapassou 713 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4,29 bilhões.
A suspensão ocorre em um momento delicado para as relações comerciais entre os dois lados. A União Europeia também vem sendo pressionada por setores agrícolas europeus, especialmente na França, após a assinatura, em janeiro de 2026, do acordo de livre-comércio com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Regras europeias são mais rígidas para o uso de antimicrobianos
Entre as normas europeias está a proibição do uso de antimicrobianos com a finalidade de acelerar o crescimento dos animais ou elevar sua produtividade.
Também existem restrições para a utilização de determinados medicamentos antimicrobianos considerados importantes no tratamento de infecções em seres humanos.
As regras fazem parte da estratégia europeia de combate à resistência aos antimicrobianos, fenômeno que reduz a eficácia dos medicamentos utilizados contra infecções.
A Organização Mundial da Saúde alerta que a resistência aos antimicrobianos já está associada diretamente a mais de 1 milhão de mortes por ano e contribui para quase 5 milhões de mortes adicionais.
A Comissão Europeia ainda não estabeleceu uma data definitiva para o fim da suspensão das importações brasileiras. A retomada dependerá da comprovação de que os requisitos sanitários exigidos pelo bloco estão sendo cumpridos.











