A dívida bruta do setor público brasileiro atingiu R$ 10,9 trilhões em julho de 2026, equivalente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado representa uma alta de 0,6 ponto percentual em comparação com o mês anterior e coloca o indicador no maior nível desde abril de 2021.
Os números foram divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central.
A chamada Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) reúne os compromissos financeiros do governo federal, dos estados e dos municípios, além do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em abril de 2021, período ainda marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19, a dívida chegou a 82,62% do PIB.
Dívida cresce mais de 10 pontos desde 2022
O avanço também é expressivo quando comparado ao fim de 2022. Em dezembro daquele ano, a dívida bruta correspondia a 71,68% do PIB. Desde então, o indicador acumulou crescimento superior a 10 pontos percentuais.
Para especialistas, a trajetória reforça a necessidade de medidas capazes de melhorar as contas públicas e controlar o crescimento da dívida nos próximos anos.
O cenário fiscal também ganha importância diante do envio, nesta segunda-feira, da proposta de Orçamento de 2027 ao Congresso Nacional pelo governo federal. A previsão apresentada é de um superávit primário efetivo de aproximadamente R$ 20 bilhões.
Apesar de representar a melhor previsão de resultado positivo em uma proposta orçamentária enviada ao Congresso em mais de uma década, analistas avaliam que um esforço fiscal ainda maior poderá ser necessário para colocar a dívida em uma trajetória sustentável.
Juros foram o principal fator de pressão em julho
Segundo o Banco Central, a alta registrada entre junho e julho foi influenciada principalmente pelos juros nominais, que contribuíram com 0,8 ponto percentual para o aumento da dívida.
As emissões líquidas de títulos e outros instrumentos de dívida acrescentaram 0,2 ponto percentual. Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal ajudou a reduzir o indicador em 0,5 ponto percentual.
No acumulado de 2026 até julho, a dívida bruta aumentou 3,9 pontos percentuais do PIB.
Na comparação de 12 meses, os juros nominais responderam por uma pressão equivalente a 5,7 pontos percentuais. As emissões líquidas acrescentaram 1,5 ponto, enquanto o crescimento do PIB nominal contribuiu negativamente em 3,1 pontos. A valorização cambial também ajudou, com impacto de 0,3 ponto percentual.
Tesouro prevê pico da dívida em 2029
As projeções do Tesouro Nacional indicam que a dívida bruta ainda deverá crescer nos próximos anos. No relatório de projeções fiscais divulgado em junho, a estimativa é de que a DBGG alcance 87,9% do PIB em 2029.
A partir desse momento, a previsão oficial é de início de uma trajetória de redução. As expectativas do mercado financeiro, entretanto, são mais pessimistas e não apontam para uma estabilização clara da dívida no horizonte projetado.
Contas públicas registram superávit em julho
Apesar da pressão sobre o endividamento, o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho.
O resultado representa uma mudança significativa em relação ao mesmo mês de 2025, quando foi registrado um déficit de R$ 66,6 bilhões.
O superávit primário considera receitas e despesas do setor público antes do pagamento dos juros da dívida. Por isso, mesmo com um resultado positivo nas contas primárias, a elevação dos juros continua exercendo forte influência sobre o nível geral do endividamento brasileiro.











