Pesquisadores da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estão investigando uma possível transmissão da salmonelose bovina para humanos, após descobrirem, em 27 de novembro de 2025, que a bactéria Salmonella enterica sorovariedade Dublin apresenta grande similaridade genética com amostras encontradas em pessoas infectadas.
O estudo, conduzido por meio de análises comparativas de sequenciamentos genômicos, indica que a contaminação humana pode ocorrer principalmente pela via alimentar, através do consumo de produtos de origem animal, como carne e leite.
A Salmonella Dublin é conhecida por ser uma das formas mais letais da doença em bovinos, levando à morte metade dos animais que manifestam sintomas. Além disso, a bactéria apresenta certa resistência a antibióticos, dificultando o tratamento tanto de animais quanto de humanos.
O professor Rodrigo Otávio Silveira Silva, líder do estudo no Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UFMG, explicou que a investigação revelou dois pontos preocupantes:
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Resistência da bactéria a antibióticos importantes para tratamento de humanos e bovinos;
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Grande similaridade genética entre as amostras de animais e humanos, sugerindo transmissão zoonótica.
Apesar de a forma exata de contágio ainda estar sendo estudada, os pesquisadores alertam para cuidados no preparo de alimentos: cozinhar bem a carne e pasteurizar o leite são medidas essenciais para prevenir a infecção. O consumo de carne mal passada, como o carpaccio, ou de queijos não pasteurizados oferece risco de contaminação.
Nos bovinos, a Salmonella Dublin pode estar presente no intestino sem provocar sintomas, mas quando se espalha para outros órgãos, a doença é letal em 50% dos casos clínicos. A principal forma de disseminação entre rebanhos é a compra de animais contaminados.
O próximo passo da pesquisa, que será publicado na Revista Microbiol Spectrum, é investigar a transmissão da doença de vacas para bezerros nas primeiras mamadas, com objetivo de desenvolver métodos de prevenção mais eficazes nas fazendas.
A pesquisa conta com a participação da mestranda Isabela Zanon (UFMG) e das pesquisadoras Erika Ganda e Sophia Kenney (PennState University).











