A produção de soja em Mato Grosso ganhou nos últimos dez anos um exemplo de responsabilidade ambiental e inovação agrícola. A Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), localizada no coração do setor agrícola do estado, ampliou significativamente suas ações de agricultura regenerativa, que vão além da sustentabilidade tradicional: elas buscam restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e transformar lavouras em aliadas no combate às mudanças climáticas.
Entre 2015 e 2025, o número de propriedades rurais certificadas pela RTRS (Round Table on Responsible Soy) passou de 9 para 54. As áreas certificadas somam hoje 290 mil hectares, com uma produção de 696 mil toneladas de soja de forma sustentável. O avanço consolidou regiões do médio-norte e norte de Mato Grosso como referências nacionais em produção responsável de soja.
Agricultura regenerativa e boas práticas
Segundo Cristina Delicato, coordenadora do CAT, a associação atua promovendo práticas que aumentam o sequestro de carbono no solo e reduzem impactos ambientais, como:
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Plantio direto;
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Rotação de culturas;
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Integração lavoura-pecuária;
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Uso racional de fertilizantes e defensivos agrícolas.
A certificação RTRS exige o cumprimento de 108 indicadores ambientais, sociais e produtivos, garantindo que a soja seja produzida com responsabilidade e transparência. Júlia Ferreira, gestora de Certificação do CAT Sorriso, explica que o sistema permite rastrear a produção desde a origem até o produto final, além de preparar os produtores para auditorias internacionais.
Em 2025, o grupo recebeu reconhecimento do Ministério da Agricultura por cumprir as Boas Práticas Agrícolas. Todas as propriedades certificadas não realizaram desmatamento após 2009, contribuindo para a redução de emissões de CO₂.
Exemplo no campo: Fazenda Nossa Senhora Salete

A Fazenda Nossa Senhora Salete, em Vera (MT), é um exemplo prático das mudanças. Com 4,2 mil hectares, produz soja em 2.750 hectares, mantendo 1.400 hectares de reserva ambiental, além de milho e feijão. Hélio Gatto, proprietário, afirma que a certificação ajuda a garantir segurança para trabalhadores e uso correto de insumos.
Os produtores recebem bônus por tonelada certificada, comercializados globalmente via plataforma RTRS. Ao longo de uma década, os associados do CAT receberam cerca de R$ 11 milhões em incentivos, aplicados em melhorias na infraestrutura das fazendas e no bem-estar dos funcionários.
Papel do CAT Sorriso
Júlia Ferreira reforça que o CAT Sorriso é responsável pela gestão dos produtores, consultoria técnica, organização documental e administração da plataforma de créditos. A associação também ajuda na abertura de mercados e na certificação de novas propriedades, fortalecendo a agricultura regenerativa e a soja responsável em Mato Grosso.
O exemplo do CAT Sorriso demonstra que a produção agrícola pode ser rentável e sustentável, promovendo redução de gases de efeito estufa, preservação ambiental e bem-estar social, consolidando Mato Grosso como referência em práticas agrícolas inovadoras e conscientes.
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