A vitivinicultura brasileira ganhou um reforço estratégico nesta terça-feira (10) com o lançamento oficial das cultivares BRS Lis e BRS Antonella, duas novas variedades de uvas tintureiras desenvolvidas pela Embrapa Uva e Vinho. Caracterizadas pela intensa pigmentação na casca e na polpa, as variedades foram criadas para elevar a qualidade e a produtividade de sucos e vinhos de mesa no país.
O lançamento ocorreu durante dias de campo em Bento Gonçalves (RS), até quinta-feira (12), e apresentou as cultivares como um “combo” complementar. Enquanto a BRS Lis se destaca pela sanidade e qualidade tecnológica, a BRS Antonella tem alto rendimento e cor intensa, oferecendo alternativa robusta às variedades tradicionais como Isabel, Bordô e Concord.
Complementaridade no campo e na indústria
As cultivares fazem parte do programa de melhoramento genético Uvas do Brasil e foram testadas por mais de uma década na Serra Gaúcha. A estratégia da Embrapa é que o cultivo conjunto otimize a produção:
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BRS Lis: possui ciclo intermediário, alta tolerância a doenças fúngicas como míldio e podridões de cacho. Produz um mosto com acidez equilibrada e alto teor de açúcar natural, dispensando a adição de sacarose na fermentação dos vinhos.
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BRS Antonella: voltada ao volume e intensidade visual, com produtividade igual ou superior às cultivares mais plantadas atualmente. Ideal para cortes industriais que exigem cor profunda e sabor equilibrado.
Segundo Adeliano Cargnin, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, “a entrega dessas duas cultivares tem alto potencial de impacto, pois mantêm características positivas das tradicionais e trazem diferenciais que fortalecem a autonomia tecnológica do setor”.
Benefícios sensoriais e funcionais
Além de ganhos logísticos e produtivos, as novas variedades entregam produtos com maior valor agregado. Análises enológicas mostram que BRS Lis e BRS Antonella apresentam índices de polifenóis e antocianinas superiores às uvas Isabel e Concord. Isso resulta em sucos e vinhos com cores mais vibrantes, maior resistência à oxidação e propriedades antioxidantes elevadas.
Aprovação dos produtores

O processo de validação envolveu cooperativas como Aurora, São João e Paraíso. O viticultor Fabiano Orsato, que planeja substituir dois hectares de uva Isabel pelas novas variedades, destacou a facilidade de manejo: “A colheita da BRS Lis é muito prática para produtores com pouca mão de obra familiar”, afirmou.
Segundo o pesquisador José Fernando da Silva Protas, a menor suscetibilidade a doenças da BRS Lis e a previsibilidade de colheita da BRS Antonella favorecem a rentabilidade por área, tornando o sistema produtivo mais sustentável e menos dependente de defensivos agrícolas.
Onde encontrar as mudas
Produtores interessados em novos vinhedos podem adquirir o material propagativo através de viveiristas licenciados pela Embrapa. A lista atualizada está disponível no site oficial da unidade.











