As autoridades de saúde da Índia confirmaram dois casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, envolvendo profissionais de saúde de um hospital no distrito de North 24 Parganas. Os pacientes apresentaram sintomas compatíveis com a doença ainda em dezembro de 2025, e o diagnóstico oficial foi confirmado na segunda-feira, 26 de janeiro de 2026.
Desde então, mais de 190 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas, e nenhum novo caso foi detectado, mostrando que a propagação está sob controle.
O vírus Nipah não é novo. Ele foi identificado pela primeira vez em 1998‑1999 na Malásia, e surtos esporádicos foram registrados em Bangladesh e Índia nas décadas seguintes. Apesar de raro, o vírus é grave e potencialmente letal, com taxas de mortalidade entre 40% e 75% em surtos passados.
O Nipah é um patógeno zoonótico, transmitido de animais para humanos, sendo os morcegos frugívoros (Pteropus spp.) o principal reservatório natural. A transmissão também pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas ou sucos não pasteurizados, ou pelo contato próximo com pessoas infectadas.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e mal-estar geral. Em casos graves, a doença pode evoluir para tosse intensa, dificuldade respiratória e inflamação cerebral (encefalite). Sem tratamento adequado, o vírus pode levar à morte.
Para prevenir a doença, especialistas recomendam: evitar contato próximo com infectados, usar máscaras e equipamentos de proteção em hospitais, higienizar frequentemente as mãos, não consumir alimentos potencialmente contaminados e seguir protocolos de biossegurança em unidades de saúde.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de propagação do vírus fora da Índia é baixo, e não há evidências de transmissão sustentada entre humanos em outros países. A OMS não recomenda restrições de viagem ou comércio, mas reforça a importância da vigilância ativa.
No Brasil, em 30 de janeiro de 2026, o Ministério da Saúde informou que o Nipah não representa ameaça à população, destacando que todos os contatos monitorados na Índia testaram negativo. O país mantém protocolos de vigilância para agentes patogênicos e está preparado para agir caso haja qualquer sinal de risco.
Embora a doença seja grave, especialistas afirmam que os surtos tendem a ser localizados, já que a transmissão entre humanos exige contato próximo e prolongado. A combinação de monitoramento, higiene, biossegurança e conscientização da população é essencial para impedir novos casos e proteger a saúde pública.
Correspondente Lian Lucas











