A exposição a agrotóxicos no Brasil atinge de forma mais intensa pessoas que já vivem em condição de vulnerabilidade social. A avaliação é da arquiteta e urbanista Susana Prizendt, integrante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que destaca o impacto desigual causado pelo uso desses produtos no campo.
Segundo a especialista, trabalhadores rurais e moradores que vivem próximos a áreas agrícolas, muitos deles descendentes de povos negros e indígenas, estão entre os principais prejudicados. Além da contaminação direta, essas comunidades também enfrentam dificuldades para acessar alimentos livres de agrotóxicos, o que reforça desigualdades já existentes.
A declaração foi feita durante uma homenagem ao cineasta Sílvio Tendler, após a exibição do documentário O Veneno Está na Mesa II, no São Paulo Food Film Fest 2025. O filme mostra como a cadeia do agronegócio concentra lucros, enquanto os efeitos negativos como doenças, intoxicações e danos ambientais recaem sobre trabalhadores do campo e consumidores.
Prizendt também chamou atenção para o aumento do consumo de produtos ultraprocessados. Pesquisas apontam que muitos desses alimentos apresentam resíduos de agrotóxicos, ampliando o risco especialmente entre populações de baixa renda, que têm menos acesso a alimentos frescos e saudáveis.
“Se a fome tem gênero, raça e endereço, o veneno também tem”, afirmou a especialista, reforçando que discutir agrotóxicos no Brasil é discutir também desigualdade social e justiça ambiental.











