Portugal vive um surto de hepatite A desde o início de 2025, com 488 casos confirmados em todo o país até o momento. Ao que apurou a SNC TV News, a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem acompanhado de perto a situação, adotando medidas intensificadas de rastreamento, vacinação e campanhas de sensibilização para frear a propagação da doença.
O que é a Hepatite A?
A hepatite A é uma infecção viral que afeta o fígado, causada pelo vírus da hepatite A (HAV). Trata-se de uma doença contagiosa, geralmente transmitida pela ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes de pessoas infectadas, mas também pode ocorrer por contato direto com pessoas infectadas, principalmente em contextos de transmissão sexual.
Os sintomas mais comuns incluem febre, cansaço, dor abdominal, náuseas, icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), urina escura e fezes claras. Embora a hepatite A raramente cause complicações graves ou crônicas, a infecção pode levar a um desconforto significativo e exigir cuidados médicos.
A prevenção ocorre principalmente por meio da vacinação, que é segura e eficaz, além da adoção de boas práticas de higiene, como lavar bem as mãos e consumir alimentos e água seguros.
Segundo dados oficiais, aproximadamente 25% das infecções cerca de 122 casos estão ligados à transmissão sexual, principalmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH). As regiões com maior incidência são Lisboa e Vale do Tejo e o Norte do país, especialmente a cidade do Porto.
Esse surto não é um fenômeno isolado em Portugal, mas sim parte de um aumento mais amplo de casos de hepatite A em toda a Europa, conforme alertado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC). No relatório semanal do órgão, destaca-se que a maioria dos novos casos ocorre em pessoas não vacinadas, ressaltando também os 122 casos ligados à transmissão entre HSH em Portugal. O surto atual teve início em fevereiro de 2024 e vem ganhando força desde então.
Diante do cenário, a DGS reforçou um conjunto de ações para controlar a doença. Entre elas, estão o rastreamento de contatos próximos dos infectados, aplicação de vacinas em esquema pré-exposição (para grupos de risco) e pós-exposição (para contatos diretos de casos confirmados), além de campanhas educativas para informar a população.
A vacinação pré-exposição é destacada como a principal estratégia preventiva, especialmente recomendada para pessoas que participam de grandes eventos, mantêm práticas sexuais de maior risco ou viajam para regiões onde a hepatite A é endêmica. A imunização pós-exposição é oferecida para proteger quem teve contato direto com infectados.
Um evento que tem recebido atenção especial é o EuroPride Lisbon 2025, que acontece até domingo em Lisboa e reúne milhares de participantes, muitos internacionais. O ECDC destacou a importância de intensificar as medidas preventivas durante o evento, devido ao surto de hepatite A entre HSH e o aumento contínuo de casos desde novembro de 2024.
Para responder a essa demanda, as autoridades nacionais reforçaram as orientações e abasteceram as unidades de saúde próximas ao evento com vacinas contra hepatite A. A DGS também lançou campanhas de conscientização em suas plataformas digitais e em aplicativos de encontros, alertando para os comportamentos de risco e incentivando a vacinação e a busca por atendimento médico diante de sintomas compatíveis com a doença. Essas ações têm foco especial na população GBHSH (gays, bissexuais e HSH) durante o EuroPride.
Os sintomas mais comuns da hepatite A incluem febre, mal-estar, dores abdominais, icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), urina escura e fezes claras. A DGS orienta que qualquer pessoa que apresente esses sinais procure atendimento médico imediatamente.
O monitoramento da situação segue em andamento, com as autoridades portuguesas trabalhando em parceria com o ECDC para acompanhar a evolução do surto e ajustar as estratégias conforme necessário, buscando evitar a disseminação e proteger a saúde pública.











