O preço do petróleo registrou alta de quase 2% nesta segunda-feira (23), refletindo a crescente tensão no Oriente Médio, onde o Parlamento do Irã aprovou no domingo (22) o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. A decisão ainda depende do aval do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do aiatolá Khamenei.
Mesmo sem a confirmação do bloqueio, a possibilidade já acende um alerta no mercado internacional, já que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pela estreita passagem, além de aproximadamente 20% do comércio mundial de gás natural liquefeito (GNL).
Nesta segunda, o barril do tipo Brent, referência global, subiu 1,78%, sendo cotado a US$ 76,82, enquanto o petróleo WTI, referência dos Estados Unidos, avançou 1,86%, a US$ 75,21.
Estratégia e contexto do conflito
O movimento do Parlamento iraniano é interpretado como retaliação aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra três instalações nucleares no Irã, ocorridos no sábado (21). Esses ataques marcam a entrada dos EUA no conflito crescente entre Irã e Israel, que tem provocado uma escalada militar na região.
O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e deságua no Mar da Arábia, possui apenas 33 km de largura em seu ponto mais estreito, com canais navegáveis de cerca de 3 km para cada direção. Essa passagem estratégica é vital para a exportação de petróleo de países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, sobretudo com destino à Ásia.
Impactos econômicos e previsões
O economista André Perfeito alerta que o fechamento do Estreito pode elevar os preços do petróleo em até 20% inicialmente, levando o barril próximo dos US$ 92. Caso o conflito se prolongue, a alta pode chegar a 40%, ultrapassando os US$ 110, valores próximos aos registrados no auge da crise Rússia-Ucrânia em 2022.
Analistas do JPMorgan também apontam que, no pior cenário, os preços poderiam atingir entre US$ 120 e US$ 130 por barril, caso haja um bloqueio total ou represália dos principais produtores da região.
Apesar da preocupação, Perfeito ressalta que há uma expectativa de que o Irã não avance para o fechamento completo do Estreito, o que poderia limitar as variações de preço.
Alternativas e desafios
Países como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita já estudam rotas alternativas para minimizar a dependência do Estreito de Ormuz. No entanto, o Catar, um dos maiores exportadores mundiais de GNL, depende quase que exclusivamente dessa passagem para escoar sua produção.
Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA, existe atualmente uma capacidade ociosa estimada em 2,6 milhões de barris por dia em oleodutos alternativos na região, mas isso ainda não cobre completamente o volume transportado pelo Estreito.
Escalada do conflito no Oriente Médio
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os ataques contra as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan tiveram “alta precisão” e visam impedir o Irã de se tornar uma ameaça nuclear. Trump alertou que “ou haverá paz ou tragédia para o Irã”, sinalizando que os bombardeios podem continuar caso os ataques recentes não cessem.
O conflito entre Israel e Irã tem se intensificado nos últimos dias, com troca de ataques aéreos e mísseis entre os países, aumentando a instabilidade geopolítica e o risco para a segurança energética mundial.











