Um estudo científico publicado no Journal of Royal Society Interface em 18 de fevereiro de 2026 alerta que o aquecimento global aumenta o risco de surtos do vírus Chikungunya em Portugal. A pesquisa identifica o país, junto com Albânia, Grécia, Itália, Malta e Espanha, como um dos mais vulneráveis a epidemias nos próximos anos.
O vírus é transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que se proliferam em ambientes quentes. Historicamente comum em regiões tropicais, a doença agora ameaça expandir-se pelo sul da Europa, à medida que os mosquitos conseguem sobreviver durante todo o ano.
Sintomas e impactos da doença
O Chikungunya provoca dores intensas nas articulações, febre e cansaço. Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, com risco aumentado de complicações graves. Embora a transmissão ocorra principalmente pela picada do mosquito, casos de infecção durante a gestação e por transfusões de sangue contaminado já foram documentados, segundo especialistas do Hospital da Luz.
A Dra. Diana Rojas Alvarez, da Organização Mundial da Saúde (OMS), alerta que até 40% dos infectados podem apresentar artrite ou dores articulares severas mesmo cinco anos após a contaminação.
Novos limites de temperatura aumentam áreas de risco
A pesquisa conduzida por Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), revelou que a doença pode se propagar em temperaturas mínimas de 2,5 °C, muito abaixo do limite anteriormente estimado de 16 °C a 18 °C. O limite máximo favorável à transmissão está entre 13 °C e 14 °C, indicando que surtos poderão ocorrer em regiões mais extensas e por períodos mais longos.
“Com o ritmo acelerado de aumento das temperaturas na Europa, aproximadamente o dobro da média global, Portugal e outros países do sul do continente precisam se preparar para um cenário de risco crescente”, afirma Tegar.
Medidas preventivas recomendadas
Especialistas reforçam a importância de controlar a população de mosquitos por meio da eliminação de focos de água parada, uso de roupas compridas e claras, aplicação de repelentes e instalação de telas em janelas.
A Dra. Alvarez destaca ainda a necessidade de sistemas de vigilância epidemiológica para detectar precocemente surtos e orientar a população em tempo real.
Contexto histórico e europeu
O Chikungunya foi identificado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia. No ano passado, surtos significativos foram registrados na França e na Itália, com centenas de casos, após anos de baixa incidência na Europa. Sem medidas preventivas adequadas, Portugal poderá enfrentar situação semelhante nos próximos anos, alerta o estudo.











