Durante a votação da Medida Provisória (MP) que institui o programa Gás do Povo, três deputados federais de Minas Gerais se posicionaram contrariamente ao texto-base: Nikolas Ferreira (PL), Junio Amaral (PL) e Eros Biondini (PL). O restante da bancada, com exceção de Lincoln Portela (PL), que não compareceu, votou favoravelmente à iniciativa do governo federal.
Nikolas Ferreira justificou seu voto contrário nas redes sociais, afirmando que a medida reduz a autonomia das famílias beneficiadas e criticando a forma como o programa será operacionalizado. Segundo o parlamentar, o novo modelo exigirá que os beneficiários busquem o gás apenas em revendas autorizadas, com prazo e condições pouco claros, o que pode dificultar o acesso e elevar o custo do botijão.
“Antes, o auxílio caía direto na conta da mãe de família, que decidia onde comprar. Agora, o programa obriga o cidadão a procurar revendas credenciadas, sem prazo definido e sem liberdade de escolha”, afirmou Nikolas.
O deputado também questionou a estratégia do governo, apontando que a medida poderia ser usada como instrumento político. Ele destacou que, embora o governo celebre o fato de 50 milhões de brasileiros dependerem do gás gratuito, essa realidade evidencia problemas sociais ainda não resolvidos e a dependência de benefícios como forma de controle de votos.
Votos contrários e repercussão
Além de Nikolas, os deputados Junio Amaral e Eros Biondini também votaram contra a MP, mas não apresentaram justificativas públicas. A postura do trio gerou críticas por parte da oposição, enquanto setores favoráveis ao programa destacaram a importância da medida para milhões de famílias de baixa renda.
O programa Gás do Povo
O Gás do Povo deve entrar em operação plena em março de 2026, beneficiando cerca de 15 milhões de famílias. Ele substituirá o Auxílio Gás, que atualmente atende aproximadamente 4,4 milhões de famílias, permitindo a compra de um botijão de 13 kg a cada dois meses.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome, o novo modelo prevê que o gás seja adquirido em cerca de 10 mil revendas autorizadas, centralizando a distribuição e buscando maior controle operacional do benefício.
A medida tem como objetivo ampliar o alcance do programa e substituir gradualmente o Auxílio Gás, mas gera debates sobre eficiência, autonomia do beneficiário e impacto econômico, especialmente em regiões onde a rede de revendas autorizadas é menor.











