O Brasil começa a dar os primeiros passos rumo ao 5.5G, mas, ao contrário da corrida pelo 5G nos últimos anos, as grandes operadoras estão adotando cautela. Vivo, Claro e TIM avaliam que ainda é cedo para investir pesado na nova geração de internet móvel. O principal motivo é econômico: os bilhões aplicados no 5G ainda não trouxeram o retorno esperado.
O 5.5G, também chamado de 5G Advanced, promete velocidades até três vezes maiores, chegando a 1,5 Gbps, além de menor latência, maior eficiência energética e a possibilidade de “fatiar” a rede para usos específicos – como transmissões em tempo real em grandes eventos ou aplicações de realidade aumentada. Apesar do potencial, o uso comercial no Brasil ainda é tímido.
Estratégias pontuais
A Vivo já testou a tecnologia em Brasília e em áreas do Rio de Janeiro. A Claro levou o 5.5G para locais de grande fluxo de público, como os estádios Allianz Parque e Neo Química Arena. A TIM, por enquanto, prefere observar o mercado e não divulga planos de expansão.
Por que tanta cautela?
As empresas alegam três pontos principais:
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Investimentos a recuperar – a prioridade é rentabilizar o 5G, que cobre hoje mais de 70% da população brasileira, mas ainda gera pouco retorno.
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Aparelhos caros e raros – poucos smartphones disponíveis são compatíveis com o 5.5G, todos acima de R$ 2,5 mil.
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Demanda limitada – sem usuários suficientes, não há modelo de negócio que justifique grandes aportes.
Para Rodrigo Marques, presidente da Claro, “ainda temos que rentabilizar o 5G”. Já Alberto Griselli, da TIM, reforça que a nova geração ainda é “pouco atrativa do ponto de vista comercial”.
O que pode mudar o cenário
Fabricantes como a Huawei defendem que o 5.5G é inevitável e pode abrir novas fontes de receita com serviços personalizados e conectividade de alta performance. O chamado network slicing, que permite dividir a mesma rede para diferentes usos simultâneos, é apontado como a chave para modelos de negócio inovadores.











