Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, sediará a partir de 23 de março a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). Durante uma semana, especialistas e representantes de diversos países irão debater estratégias globais para proteger animais que percorrem grandes distâncias entre diferentes regiões do planeta.
O encontro, realizado a cada dois anos, deve reunir delegações de 132 países, além da União Europeia. Todos fazem parte da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), tratado internacional criado em 1979 com o objetivo de preservar essas espécies e suas rotas naturais, além de reduzir impactos causados por poluição e mudanças climáticas.
Entre os principais temas do evento estão os dados do primeiro relatório global sobre o estado das espécies migratórias, apresentado na conferência anterior, realizada em 2024 no Uzbequistão. O estudo aponta que houve uma redução de 24% nas condições de conservação dessas espécies, com crescimento do número de animais ameaçados de extinção.

Outro dado considerado preocupante é o aumento da proporção de espécies com populações em declínio, que passou de 44% para 49%. As informações são baseadas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das principais referências mundiais sobre o risco de extinção da fauna e da flora.
Durante a conferência, especialistas devem discutir políticas públicas e medidas de conservação capazes de enfrentar problemas como captura ilegal, pesca acidental de espécies ameaçadas e destruição de habitats naturais. Também estão previstas discussões sobre infraestrutura, poluição e impactos das mudanças climáticas nos deslocamentos desses animais.
A programação inclui ainda a apresentação de novos estudos científicos, como um relatório global sobre peixes migratórios de água doce e uma análise sobre os impactos da mineração em águas profundas para espécies marinhas.
Outro ponto em debate será a possível inclusão de 42 novas espécies na lista de proteção da convenção, além do reforço de medidas internacionais já existentes.
O Brasil integra o acordo desde 2015 e desempenha papel importante na conservação dessas espécies. O território brasileiro está nas rotas migratórias de cerca de 1,2 mil animais, incluindo aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos.
Esses deslocamentos são fundamentais para o equilíbrio ambiental, pois contribuem para a dispersão de sementes, transporte de nutrientes e manutenção da saúde dos ecossistemas. No entanto, fatores como perda de habitat e exploração excessiva continuam sendo ameaças importantes para a sobrevivência dessas espécies.











