Na data em que o país celebra a Independência, as ruas da capital mineira também foram tomadas por outra manifestação: o 31º Grito dos Excluídos. O ato, que tradicionalmente dá voz a movimentos sociais, sindicatos e coletivos, ganhou neste ano um símbolo especial: o boné com a frase “O Brasil é dos brasileiros”, estampado pela primeira vez na cabeça do presidente Lula em fevereiro e que agora caiu no gosto do povo.
O acessório azul, com letras brancas e a bandeira nacional na lateral, virou marca registrada da manifestação em Belo Horizonte. A vendedora Joelma Vieira Alves, de 68 anos, levou 30 bonés para a Praça Raul Soares e vendeu quase todos em menos de uma hora. “As pessoas se identificaram com a mensagem. É uma forma de expressar amor ao país”, afirmou.
Entre os manifestantes, o boné foi mais do que um adereço: tornou-se expressão de patriotismo e soberania. A arquiteta Clarissa Vaz destacou que o lema resgata o orgulho nacional. “É reivindicar o que é nosso. Estamos acostumados a valorizar o que vem de fora e esquecemos do Brasil.” Já o aposentado Sérgio Moreira Brandão mandou confeccionar seu próprio boné para usar no ato: “É para mostrar nosso patriotismo e não apoiar quem nos oprime.”
Com o lema central “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”, o Grito dos Excluídos levou às ruas de Belo Horizonte pautas como a defesa do serviço público, a luta contra privatizações e a crítica à Reforma Administrativa. O movimento, que acontece há mais de três décadas em diversas cidades do Brasil, mantém o caráter de mobilização popular e resistência social.











