Alice Martins Alves, uma mulher trans, morreu no dia 9 de novembro, após ter sido brutalmente espancada no dia 23 de outubro, na avenida do Contorno, esquina com a avenida Getúlio Vargas, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), os suspeitos do crime são dois funcionários do estabelecimento Rei do Pastel, que já prestaram depoimento à polícia.
O ataque
Alice Martins foi agredida violentamente nas ruas da Savassi. Após o ataque, ela conseguiu chegar em casa, mas precisou ser levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul e, posteriormente, transferida para um hospital particular, onde permaneceu internada por cerca de 18 dias. A vítima faleceu devido a uma infecção generalizada decorrente das lesões.
Suspeitos e investigação
Os dois funcionários do Rei do Pastel foram identificados e ouvidos pela polícia, mas ainda não foram presos, já que o flagrante expirou e o inquérito policial segue em andamento.
De acordo com as investigações, a motivação do crime teria sido que Alice teria saído do estabelecimento sem pagar uma conta de R$ 22. Ela foi perseguida e atacada na sequência. Um motociclista que passava pelo local acionou ajuda e impediu que a agressão continuasse. Durante o ataque, Alice sofreu fraturas nas costelas, perfuração intestinal e outros ferimentos graves.
Nota do Rei do Pastel
O Rei do Pastel se manifestou por meio de nota, afirmando que colabora integralmente com as investigações e confia no trabalho da polícia para a devida apuração dos fatos. A empresa ressaltou que não compactua com discriminação de qualquer natureza, incluindo identidade de gênero, orientação sexual ou raça, e expressou solidariedade à família de Alice.
“Carregamos em nosso DNA uma cultura de bem servir, com produtos de qualidade e cuidado com nossos clientes, sempre prezando por um ambiente de harmonia”, diz a nota do estabelecimento.
Quem era Alice Martins Alves
Alice era descrita por familiares como uma pessoa determinada e de personalidade marcante. Seu pai, Edson Martins, de 66 anos, conta que ela lutava pelos direitos da comunidade trans e tinha grande capacidade de estudo e aprendizado.
“Ela aprendeu inglês sozinha e falava fluentemente. Também estudava receitas, com planos de abrir um negócio de comida conosco. Alice enfrentava muitos perigos, mas vivia a vida com altivez. Infelizmente, foi ceifada por alguém que não respeita o amor e a vida”, relembra Edson, emocionado.











