Um novo estudo sobre pobreza e exclusão social em Portugal revela que mais de dois milhões de portugueses continuam em situação de risco um sinal de que a recuperação económica não chegou igualmente a todos os grupos da sociedade. Os dados oficiais, reunidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e por relatórios de organizações sociais, apontam para uma taxa de risco de pobreza ou exclusão social que se situa em torno de 19–20% da população.
Os grupos mais afetados são idosos com pensões baixas, agregados monoparentais (mães solteiras com filhos a cargo) e jovens com vínculos laborais precários. O relatório identifica também um elevado peso das despesas de habitação no orçamento das famílias vulneráveis, o que aumenta a exposição a situações de insegurança econômica.
Organizações de solidariedade social sublinham que, apesar de medidas pontuais adotadas pelo estado, são necessárias ações estruturais para reduzir a incidência da pobreza: reforço de apoios ao rendimento mínimo, políticas de habitação acessível e programas de empregabilidade direcionados para os segmentos mais vulneráveis.
“Sem investimentos estruturais e sem uma política habitacional eficaz, dificilmente inverteremos o cenário para quem já vive em fragilidade”, afirmou representante de uma confederação de instituições sociais.
O Governo português, em resposta às conclusões, indicou que projetos para reforçar o rendimento mínimo e programas de apoio à habitação serão objeto de medidas a anunciar até ao final do ano, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade das famílias em risco. Analistas, no entanto, lembram que o prazo e a efetividade das políticas serão determinantes para o impacto real sobre os números.
No terreno, associações locais relatam uma procura crescente por alimentos, apoio psicológico e serviços de mediação de renda. As escolas e centros de saúde também têm sinalizado o aumento de famílias que recorrem a apoios pontuais para despesas básicas. Especialistas defendem uma abordagem integrada que combine transferência de rendimento, formação profissional e medidas de acesso à habitação.











