A Justiça de Minas Gerais determinou a interrupção imediata de todas as atividades da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, após um vazamento de água e rejeitos ocorrido no dia 25 de janeiro. A decisão, assinada na última sexta-feira (6), estabelece que as operações só poderão ser retomadas mediante comprovação técnica da segurança e estabilidade das estruturas do complexo.
O governo estadual e o Ministério Público de Minas Gerais solicitaram a paralisação. Em caso de descumprimento, a Vale fica sujeita a multa diária de R$ 100 mil, podendo chegar a R$ 10 milhões.
O vazamento afetou cursos d’água que abastecem o rio Paraopeba, provocando assoreamento de córregos e danos à vegetação, de acordo com o MPMG. Foram extravasados cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e resíduos do processo de beneficiamento. O Ministério Público apontou falhas no sistema de drenagem e atrasos na comunicação do incidente às autoridades, dificultando a resposta da Defesa Civil.
O material chegou a afetar a área de outra mineradora, a CSN, e seguiu pelo rio Goiabeiras, que deságua no rio Maranhão, afluente do Paraopeba – o mesmo atingido pelo rompimento da barragem de Brumadinho em 2019.
Em paralelo, o Ministério Público Federal acionou a Justiça e pediu o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão da Vale para garantir a reparação de danos ambientais e materiais.
Em nota, a Vale informou que já havia suspenso as atividades nas minas de Fábrica e Viga, dentro do mesmo complexo, e que os alvarás de funcionamento foram suspensos pela prefeitura de Congonhas. A empresa afirmou que suas barragens continuam monitoradas 24 horas por dia e que irá colaborar integralmente com as autoridades.











