Depois da brasileira Yara Freitas, de 22 anos, ser chamada de “putita”, “vaca” e ouvir o já conhecido “volta pra sua terra” dentro do seu local de trabalho, em Vila Nova de Gaia, outro caso envolvendo uma cidadã brasileira volta a expor o peso do preconceito, da intolerância e da falta de empatia que muitos imigrantes enfrentam em Portugal.
Pouco mais de uma semana após o episódio de Yara, uma brasileira identificada como Gabriela Johann denunciou ter sido vítima de uma agressão enquanto caminhava pela Rua de Cedofeita, uma das mais movimentadas da cidade do Porto, por volta das 22h30 de quarta-feira (25/06).
Gabriela e uma amiga conversavam e riam quando caminhavam pela via, passavam embaixo do prédio.
Segundo o relato, um homem apareceu numa janela de um edifício e atirou um objeto pesado de pedra, com formato arredondado semelhante a um tacho de pedra, que atingiu em cheio a sua cabeça.

A agressão foi precedida por um insulto verbal. De acordo com Gabriela, o homem aparentemente idoso e lúcido gritou: “Fala baixo, sua vaca”. Ao responder ao xingamento, ela foi imediatamente atingida. Com ferimentos graves, foi levada ao hospital, onde levou cinco pontos na cabeça. A amiga que a acompanhava caiu de susto e teve ferimentos num dos joelhos.
“Quase no mesmo segundo [em que retruquei], esse homem atirou uma pedra imensa contra nós que acertou em cheio a minha cabeça. Ele rapidamente fechou a janela e sumiu”, relatou Gabriela nas redes sociais.
A brasileira afirmou ter sentido humilhação e revolta.
“Senti ódio de estar aqui em Portugal. Nunca passei por nada parecido no Brasil. Fui embora pela falta de segurança e, aqui, onde quero me integrar, contribuir e gerar empregos, passo por isso”, desabafou.
Apesar da violência, ela não associou o ataque diretamente à xenofobia.
“É fato que gente louca existe em toda parte, não importa a nacionalidade”, escreveu.
Gabriela informou que já prestou queixa à polícia e espera que o caso tenha desdobramentos.
“Hoje mesmo passei pelo local e vi todo o meu sangue seco na calçada.”
Até o momento, as autoridades portuguesas não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.
#snctvnews











