A educação profissional e tecnológica no Brasil vive um momento de forte expansão. Dados do Censo Escolar 2025 revelam que o número de matrículas saltou 68,4% nos últimos cinco anos, passando de 1,8 milhão em 2021 para mais de 3,1 milhões em 2025.
O levantamento é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e teve os resultados da primeira etapa divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), em Manaus.
Crescimento impulsionado por políticas públicas
A aceleração no aumento das vagas ficou mais evidente a partir de 2023. Segundo o MEC, o avanço está ligado a políticas que buscam tornar o ensino médio mais atrativo e alinhado às demandas do mercado de trabalho.
Entre as iniciativas está o Programa Juros por Educação, criado em 2025 e vinculado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A proposta incentiva os estados a ampliarem a oferta gratuita de cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio, incluindo a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de investir em infraestrutura e formação de professores. Até agora, 22 estados aderiram.
A expectativa do governo federal é investir R$ 8 bilhões no programa ainda este ano, com a meta de criar 600 mil novas vagas no ensino técnico até 2026.
Estados concentram maior parte das matrículas
Em 2025, as redes estaduais responderam por 81,7% das matrículas na educação profissional pública. A rede federal — formada pelos institutos federais e escolas técnicas vinculadas às universidades — representa 15,4%. Já os municípios concentram apenas 2,8% das vagas.
Ensino médio integrado lidera
O modelo mais procurado é o ensino médio integrado ao curso técnico, que reúne formação geral e qualificação profissional na mesma trajetória escolar. Essa modalidade alcançou 1,2 milhão de matrículas em 2025.
Na sequência aparecem:
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Curso técnico subsequente (para quem já concluiu o ensino médio): 832 mil matrículas;
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Itinerário formativo articulado com qualificação profissional: 517 mil;
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Ensino médio na modalidade magistério: 32,5 mil alunos.
Os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à EJA também cresceram, ultrapassando 134 mil matrículas no ano passado.
Piauí lidera ranking nacional
A média nacional de integração entre ensino médio regular e cursos técnicos na rede pública chegou a 20,1% em 2025 — o dobro do registrado no período da pandemia.
O grande destaque é o Piauí, que atingiu 68,8% de articulação técnica, índice cerca de 3,4 vezes superior à média brasileira.
Também aparecem entre os primeiros colocados:
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Paraíba (34,7%)
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Acre (34,1%)
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Paraná (32,9%)
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Espírito Santo (32,5%)
Na outra ponta do ranking estão o Amazonas (5,2%) e o Distrito Federal (6,9%), com os menores índices de integração técnica.
Áreas mais procuradas
Os cursos técnicos estão concentrados principalmente em setores ligados à gestão, saúde e tecnologia.
Os quatro eixos tecnológicos com maior número de matrículas em 2025 foram:
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Gestão e Negócios (28,9% do total);
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Ambiente e Saúde;
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Informação e Comunicação;
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Controle e Processos Industriais.
Entre os cursos mais procurados estão Administração, Enfermagem, Informática e Desenvolvimento de Sistemas.
Especialistas avaliam que a expansão da educação profissional representa uma oportunidade histórica para ampliar o acesso ao mercado de trabalho e fortalecer o desenvolvimento econômico. Além de facilitar a inserção profissional, o ensino técnico também pode servir como porta de entrada para o ensino superior.
O Censo Escolar reúne informações sobre escolas, professores, gestores, turmas e estudantes da educação básica em todo o país, sendo uma das principais bases para formulação e avaliação de políticas públicas educacionais.











