Portugal segue sendo destino de mulheres brasileiras vítimas de exploração sexual. Apesar dos avanços no combate ao tráfico humano, investigações recentes revelam que redes organizadas continuam atuando em território português com força e violência.
Somente em outubro de 2024, dois casos emblemáticos chocaram a opinião pública: o primeiro, em Lisboa, onde uma casa de prostituição no Chiado funcionava há sete anos sob gestão de uma brasileira. O segundo, em cidades do distrito de Aveiro como Águeda, Anadia e Santa Maria da Feira terminou com a condenação de oito pessoas, entre portugueses e brasileiros.
Em ambas as situações, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Polícia Judiciária (PJ) atuaram em conjunto, desmantelando as redes e libertando mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo dados da União Europeia, entre 2008 e 2022, Portugal registou mais de 2.500 casos de tráfico humano. Desses, 16% envolveram exploração sexual sendo identificadas oficialmente apenas 53 vítimas brasileiras. Especialistas afirmam que o número real pode ser muito maior, devido à subnotificação e ao medo das vítimas em denunciar.
Estudos da Universidade de Coimbra e relatos de organizações sociais apontam que as vítimas são, em sua maioria, jovens mulheres, de baixa escolaridade e em situação econômica frágil. A promessa de trabalho como modelo, empregada doméstica ou cuidadora é a isca. Ao chegar em Portugal, seus documentos são retidos, elas são ameaçadas, vigiadas e forçadas à prostituição.
A SNC TV News teve acesso exclusivo a relatos de mulheres que passaram por esse tipo de exploração. Uma delas, brasileira de 39 anos, natural de Minas Gerais, vive atualmente uma batalha judicial para reaver a guarda da filha de apenas um ano, que a justiça portuguesa entregou nas mãos da dona do bordel.
Ela relata que “a responsável pela casa onde eu trabalhava, prestando serviços sexuais, tirou minha filha dos meus braços, fez uma denúncia por abandono e conseguiu a guarda, com apoio de pessoas ligadas ao esquema”. Ainda segundo a vítima, “eu pagava apenas 20 euros para que a filha dela cuidasse da minha menina enquanto eu trabalhava naquele local”. Com emoção, ela reforça: “eu nunca abandonei minha filha”.
O caso está em investigação, e a SNC TV News apura detalhes junto às autoridades. A vítima pretende voltar ao Brasil assim que conseguir recuperar a guarda da filha.
Ela também relata: “Trabalhei a gravidez inteira no prostíbulo, e após o nascimento da minha filha continuei ainda por mais seis meses. Dormia às 6 da manhã e às 11 já tinha que estar de pé”.
E completou, “fui humilhada, traida, e explorada, quero ajuda, estou sofrendo”.
A SNC TV News já solicitou notas oficiais à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e ao tribunal competente, e segue apurando todas as informações junto às autoridades responsáveis para garantir a precisão e responsabilidade na cobertura do caso.
A SNC TV News segue acompanhando este caso e reforça o compromisso com a informação responsável e a proteção dos direitos humanos. Assim que as apurações forem concluídas, a SNC TV News trará uma matéria exclusiva, com riqueza de detalhes, revelando o nome desta mãe brasileira que procurou nossa reportagem com o intuito de ser ouvida e alertar outras brasileiras que passam pelo mesmo sofrimento.
Muitas vezes, as vítimas são atraídas por anúncios discretos em jornais ou plataformas digitais, que não levantam suspeitas até conhecerem o local, onde são forçadas a consumir drogas para suportar a rotina e alcançar altos ganhos. São relatos fortes vividos por essa mulher que alega ter sido explorada sexualmente.
A situação tem impacto devastador na saúde física e mental das vítimas: muitas relatam violência física, abuso sexual, insônia, depressão e até tentativas de suicídio. Mesmo após serem resgatadas, enfrentam dificuldades para se reinserir na sociedade, recuperar a guarda dos filhos ou retomar os estudos.
Autoridades portuguesas reforçam a importância de denúncias anônimas e do trabalho em rede com o Brasil, por meio de consulados e entidades de apoio às mulheres migrantes.
A Polícia Judiciária alerta que novas investigações estão em curso.
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