A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação judicial contra dez empresas de comunicação após a repercussão do caso ocorrido em Itumbiara, onde duas crianças foram mortas pelo próprio pai.
Segundo o órgão, parte da cobertura e principalmente os comentários publicados em plataformas digitais teriam contribuído para expor a mãe das vítimas, Sara Araújo, a ataques virtuais e julgamentos públicos no momento em que ela enfrentava uma das maiores tragédias de sua vida.
A ação foi protocolada na 31ª Vara Cível de Goiânia e aguarda decisão judicial.
*⚖️ Pedido de retirada de conteúdos e indenização
Por meio do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, a defensoria solicita que sejam removidas publicações e comentários considerados ofensivos ou que reforcem ataques à honra da vítima.
Além disso, o órgão requer indenização por danos morais coletivos no valor total de R$ 1 milhão, quantia que, se concedida, deverá ser destinada a fundos públicos voltados à defesa de direitos coletivos.
Também foi solicitado que haja retratação por parte dos veículos envolvidos.
*🚨 Alegação de “linchamento virtual”
De acordo com a Defensoria, parte do material divulgado teria desviado o foco da gravidade do crime — atribuído ao agressor — para questionamentos sobre a vida pessoal da mãe das crianças.
O órgão sustenta que houve falha na moderação de comentários nas páginas e perfis das empresas nas redes sociais, permitindo a circulação de discursos de ódio e ataques direcionados à mulher.
A defensoria também aponta que alguns conteúdos teriam exposto imagens e vídeos de cunho íntimo, o que, na avaliação do órgão, ampliou o sofrimento da vítima e configurou processo de revitimização.
*📌 Objetivo da ação
Em nota oficial, a Defensoria esclareceu que não atua como representante individual da mulher, mas na proteção de interesses coletivos, especialmente de grupos vulneráveis.
O principal objetivo da medida judicial, segundo o órgão, é impedir que situações semelhantes reforcem práticas de exposição indevida e ataques virtuais contra vítimas de violência.
📺 Empresas citadas na ação
A ação judicial menciona os seguintes veículos e grupos de comunicação:
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CNN Brasil
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Globo Comunicação e Participações
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Metrópoles
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Rádio e Televisão Record
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Televisão Anhanguera
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TV Serra Dourada
Além de outras empresas regionais e editoras mencionadas no processo.
Procurada para comentar o caso, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão informou que não irá se manifestar neste momento. O espaço segue aberto para posicionamento das empresas citadas.











