A Polícia Nacional do Uruguai desmontou um plano de assalto de grandes proporções contra agências bancárias localizadas no centro financeiro de Montevidéu. A operação ocorreu na noite de segunda-feira (09/02/2026), após meses de monitoramento de um imóvel alugado que servia como base para a escavação de um túnel subterrâneo com mais de 200 metros de extensão, escavado em direção aos cofres de pelo menos três bancos.
Segundo as autoridades uruguaias, 11 pessoas foram presas, entre elas cinco brasileiros, além de uruguaios e paraguaios. O túnel, construído com reforço de madeira, iluminação improvisada e sistema de ventilação, também seria usado como rota de fuga após o crime.
Durante coletiva realizada na manhã de terça-feira (10/02/2026), a polícia local informou que o grupo vinha operando no país desde junho de 2025, mantendo uma rotina aparentemente comum no imóvel alugado para não levantar suspeitas dos vizinhos.
Líder da quadrilha tem ligação com o maior assalto da história do Brasil
Entre os presos está Raimundo de Souza Pereira, conhecido como “Piauí”, de 61 anos, apontado como o principal articulador da escavação. Ele é conhecido das forças de segurança brasileiras por ter participado da coordenação do assalto ao Banco Central em Fortaleza, ocorrido na madrugada de domingo, 07 de agosto de 2005, quando criminosos furtaram mais de R$ 164 milhões por meio de um túnel de aproximadamente 80 metros.
Na ocasião, o crime entrou para a história como um dos maiores furtos a banco do mundo, sem o uso de armas ou reféns. Parte do dinheiro jamais foi recuperada. As investigações apontaram que Raimundo teria ficado com uma parcela milionária do valor roubado.
O mesmo suspeito também foi relacionado à tentativa de furto a uma agência do Banrisul, em Porto Alegre, registrada em 2006, frustrada após ação da polícia.
Outro brasileiro tem histórico de sequestros ligados a crimes bancários
Outro nome identificado entre os brasileiros presos é Eduardo Félix Farias, que já possuía antecedentes no Brasil por envolvimento em crimes contra instituições financeiras. Ele foi condenado por participação em um esquema de sequestro de familiares de funcionários do Banco do Brasil no Ceará, ocorrido em 2001, utilizado como forma de pressão para facilitar ações criminosas contra agências.
De acordo com investigadores, o grupo preso no Uruguai é formado por integrantes especializados em engenharia criminosa, com experiência em escavações subterrâneas, logística de fuga e ocultação de provas.

Suspeita de ligação com facções brasileiras
As autoridades uruguaias apuram a possível ligação de parte dos brasileiros com facções criminosas que atuam no Brasil, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). A hipótese ganhou força após a análise do nível de organização, do financiamento da estrutura e da sofisticação do túnel encontrado em Montevidéu.
Fontes ligadas à investigação afirmaram que o custo da operação clandestina pode ter ultrapassado centenas de milhares de dólares, considerando aluguel do imóvel, compra de ferramentas, reforço estrutural e manutenção da equipe por meses.
Cooperação internacional e desdobramentos
A Polícia Federal do Brasil passou a colaborar formalmente com as investigações na terça-feira (10/02/2026), compartilhando dados sobre o histórico criminal dos brasileiros detidos. O intercâmbio de informações ocorre por meio de canais de cooperação internacional já utilizados em casos de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As autoridades uruguaias não descartam a participação de outros envolvidos que conseguiram deixar o país antes da operação, e novas prisões podem ocorrer nos próximos dias.
O caso segue sob responsabilidade da Justiça uruguaia, e os suspeitos permanecem presos preventivamente enquanto a polícia aprofunda a apuração sobre o financiamento da ação, possíveis conexões com o crime organizado no Brasil e a existência de outros planos semelhantes em países da América do Sul.











