O Brasil enfrenta uma crise sanitária sem precedentes devido à intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas falsificadas. Até a sexta-feira, 3 de outubro de 2025, o Ministério da Saúde havia confirmado 113 casos suspeitos e confirmados em todo o país, com 12 mortes registradas, sendo uma delas confirmada em laboratório e as demais ainda em investigação. A maioria das notificações ocorreu no estado de São Paulo, mas também foram identificados casos em Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Diante da gravidade da situação, o governo brasileiro decidiu recorrer ao apoio internacional e solicitou ajuda a vários países, incluindo Portugal, para obter o antídoto necessário ao tratamento das vítimas. O medicamento em questão é o fomepizol, considerado essencial em casos de intoxicação por metanol, mas que ainda não possui registro no Brasil.
O pedido foi formalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que entrou em contato com autoridades de Portugal, Argentina, México, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Japão, Índia, China, Suíça e Austrália. O objetivo é viabilizar, em caráter emergencial, o acesso ao antídoto por meio de doações ou cotações para compra imediata.
Enquanto aguarda resposta internacional, o Ministério da Saúde adotou medidas paliativas, como a aquisição de 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico, que também pode ser utilizado no tratamento dos intoxicados. A pasta estuda ainda a compra de mais 150 mil ampolas e mapeou mais de 600 farmácias de manipulação com capacidade técnica para produzir etanol em grau farmacêutico.
Desde o dia 1º de outubro de 2025, foi instalada em Brasília uma Sala de Situação nacional, com caráter extraordinário, para monitorar e coordenar as ações emergenciais, além de articular a comunicação entre estados frente ao risco sanitário. As autoridades orientaram que todos os estados e municípios passem a notificar imediatamente casos suspeitos ou confirmados de intoxicação por metanol, caracterizando-os como evento de saúde pública. Também foi solicitado que empresas e instituições farmacêuticas manifestem disponibilidade de oferta do fomepizol e apresentem cotações colaborativas para garantir o abastecimento nacional.
O que é o metanol e por que ele mata?
O metanol é um tipo de álcool, também chamado de álcool metílico ou álcool da madeira. Diferente do etanol (o álcool presente nas bebidas alcoólicas comuns), o metanol não é próprio para consumo humano.
Ele é usado na indústria como solvente, combustível, em tintas, plásticos e até em líquidos de limpeza. O problema é que, quando ingerido, o organismo transforma o metanol em ácido fórmico e formaldeído, substâncias altamente tóxicas que atacam o sistema nervoso central, o fígado e principalmente o nervo óptico.
Os efeitos da ingestão incluem:
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Náuseas e vômitos
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Fortes dores de cabeça
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Confusão mental
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Problemas respiratórios
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Perda da visão (cegueira irreversível em alguns casos)
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Falência múltipla de órgãos
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E, em casos graves, morte
Em bebidas falsificadas, criminosos usam o metanol porque ele é mais barato que o etanol. Muitas vezes, é misturado ilegalmente em destilados caseiros ou adulterados, aumentando o risco de intoxicação em quem consome sem saber.
Na sexta-feira, 3 de outubro de 2025, quando os números foram consolidados, o Brasil já enfrentava um cenário preocupante, com mortes confirmadas e dezenas de pacientes em estado grave. Ao pedir ajuda a Portugal e a outros países, o governo busca não apenas acesso ao medicamento fundamental, mas também reforçar a cooperação internacional em uma crise de saúde que pode se agravar nos próximos dias.











