Enquanto Estados Unidos, China e países europeus travam uma verdadeira corrida tecnológica pelo domínio da inteligência artificial, o Brasil também possui um plano ambicioso para se posicionar entre os protagonistas da nova economia digital. O chamado Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê investimentos de R$ 23,03 bilhões até o ano de 2028 e continua sendo executado pelo Governo Federal em 2026. O objetivo é modernizar a infraestrutura tecnológica do país, estimular a inovação nas empresas, capacitar profissionais e ampliar o uso da inteligência artificial nos serviços públicos.
O plano foi lançado oficialmente em 30 de julho de 2024 durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em Brasília, e é coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua execução está prevista para o período entre 2024 e 2028.
Diferentemente do que muitos imaginam, a inteligência artificial não está restrita ao ChatGPT ou aos assistentes virtuais utilizados no dia a dia. O governo brasileiro pretende utilizar a tecnologia em áreas estratégicas como saúde, educação, agricultura, indústria, segurança digital e serviços públicos. Atualmente, diversos projetos previstos no plano encontram-se em andamento.
Como serão investidos os R$ 23 bilhões?
Os investimentos previstos pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial estão divididos em cinco grandes áreas:
- R$ 13,79 bilhões destinados à inovação empresarial e ao desenvolvimento tecnológico das empresas brasileiras;
- R$ 5,79 bilhões voltados à infraestrutura tecnológica e ao desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial;
- R$ 1,76 bilhão para modernização e melhoria dos serviços públicos digitais;
- R$ 1,15 bilhão para formação e capacitação profissional;
- Os recursos restantes contemplam ações relacionadas à governança, regulamentação e projetos estratégicos de pesquisa e desenvolvimento.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mais de 117 instituições públicas e privadas participaram da elaboração do plano, incluindo universidades, centros de pesquisa, representantes do setor produtivo e especialistas em tecnologia.
O que mudou em 2026?
Em julho de 2026, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial encontra-se em sua fase de implementação. Uma das principais metas do governo é criar condições para que o Brasil desenvolva suas próprias soluções em inteligência artificial, reduzindo a dependência tecnológica de outros países.
Entre os objetivos do plano estão:
- Desenvolvimento de infraestrutura computacional de alto desempenho;
- Criação de centros nacionais de pesquisa em inteligência artificial;
- Ampliação dos serviços públicos digitais;
- Incentivo à inovação nas empresas brasileiras;
- Formação de milhares de profissionais especializados em tecnologia;
- Desenvolvimento de soluções voltadas para o setor agropecuário, indústria, saúde e educação;
- Fortalecimento da soberania tecnológica brasileira.
Especialistas apontam que a inteligência artificial poderá gerar impactos semelhantes aos provocados pela popularização da internet nas décadas anteriores, transformando profissões, modelos de negócios e a prestação de serviços públicos.
Inteligência artificial também será utilizada no governo
Outro ponto importante do plano brasileiro é a modernização da administração pública. A proposta prevê o desenvolvimento de sistemas capazes de tornar serviços governamentais mais eficientes, rápidos e personalizados para a população.
Na prática, a tecnologia poderá ser utilizada para reduzir burocracias, automatizar processos administrativos e melhorar o atendimento digital oferecido aos cidadãos.
Brasil quer disputar espaço no cenário internacional
Atualmente, os Estados Unidos lideram grande parte dos investimentos privados em inteligência artificial, seguidos por China e União Europeia. O Brasil busca ocupar uma posição estratégica entre os países emergentes que pretendem participar ativamente dessa transformação tecnológica.
Embora o país ainda esteja distante das gigantes mundiais do setor, o volume de investimentos previstos até 2028 demonstra que a inteligência artificial passou a ser considerada uma política pública prioritária para o desenvolvimento econômico e tecnológico nacional.
Para especialistas, os próximos dois anos serão decisivos para avaliar se o Brasil conseguirá transformar os investimentos previstos em inovação, geração de empregos qualificados e maior competitividade internacional.
Em um cenário cada vez mais dominado pela inteligência artificial, a pergunta já não é mais se a tecnologia fará parte do futuro dos brasileiros, mas qual será o papel do país nessa nova revolução digital.











