O Instituto Butantan divulgou na sexta-feira, 6 de março, resultados de um estudo que mostram que a vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. A pesquisa acompanhou mais de 16 mil participantes, sendo aproximadamente 10 mil vacinados com o imunizante Butantan-DV e quase 6 mil recebendo placebo.
A vacina, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025, já começou a ser aplicada em profissionais de saúde de diversas regiões do país. Durante o período de acompanhamento, nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue grave ou precisou de hospitalização, resultando em eficácia de 80,5% contra formas graves da doença e infecções com sinais de alerta.
A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destacou a importância da vacina de dose única:
“Vacinas que precisam de duas ou mais doses frequentemente não são completadas. Demonstrar que uma única dose mantém alta proteção é essencial, mas vamos continuar acompanhando para saber se reforços serão necessários em 10 ou 20 anos.”
Eficiência por faixa etária
A eficácia geral do imunizante contra a dengue foi de 65%, mas sobe para 77,1% entre pessoas que já tiveram a doença antes da vacinação. Os resultados também mostram que adultos e adolescentes obtêm maior proteção do que crianças, o que levou a Anvisa a registrar o Butantan-DV apenas para pessoas entre 12 e 59 anos.
O Butantan planeja novos estudos para avaliar a inclusão de crianças e idosos na vacinação. Sobre os idosos, o objetivo é verificar se o sistema imunológico mais envelhecido mantém a mesma capacidade de gerar resposta imune. Os resultados serão analisados após um ano de acompanhamento e enviados à Anvisa.
Segurança e impacto estratégico
O estudo, publicado na revista Nature Medicine em 4 de março, confirma que a vacina é bem tolerada e segura a longo prazo. Para a Sociedade Brasileira de Imunizações, a inclusão de novos públicos, como idosos, seria estratégica, já que a maior taxa de mortalidade por dengue ocorre nesta faixa etária.
Juarez Cunha, diretor da SBIM, ressaltou:
“A pesquisa mostra que a vacina se mantém protetora por um período longo e é extremamente segura. Isso é fundamental para a confiança da população.”
A prioridade do Butantan é abastecer o Sistema Único de Saúde, mas, assim que a demanda nacional for atendida, o Instituto pretende negociar a venda de doses para outros países da América Latina, também afetados por epidemias da doença.
Segundo a diretora médica do Instituto, a pesquisa nacional permite não apenas garantir acesso ao SUS, mas também posicionar o Brasil como produtor de imunizantes de ponta, com segurança e eficácia comprovadas.











