A safra 2026/2027 da cana-de-açúcar, que começa oficialmente em abril, deve marcar uma recuperação na produção após as perdas registradas no ciclo anterior. A expectativa do setor é de aumento na oferta de matéria-prima e maior produção de etanol, o que pode tornar o biocombustível mais competitivo que a gasolina nos próximos meses.
De acordo com o presidente da Associação da Indústria Sucroenergética de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, embora ainda não existam números consolidados para o estado, as condições climáticas recentes apontam para um cenário mais favorável nas regiões produtoras.
Segundo ele, o volume de chuvas registrado nas últimas semanas tem beneficiado o desenvolvimento da lavoura. Em algumas usinas, inclusive, o início da safra precisou ser adiado por causa das precipitações, o que indica boas perspectivas para a produção deste ano.
No ciclo anterior, a produção foi prejudicada por problemas climáticos acumulados ao longo de duas temporadas. A safra 2025/2026 terminou com queda significativa na produtividade, reflexo da seca registrada anteriormente e da irregularidade de chuvas durante o verão. Agora, a expectativa é de recuperação consistente da produção.
Mais etanol na produção
Além do aumento na quantidade de cana, o setor também prevê mudanças no chamado “mix” de produção — proporção da matéria-prima destinada à fabricação de açúcar ou etanol. A tendência é que uma parcela maior da cana seja direcionada ao biocombustível.
Esse movimento ocorre principalmente por causa da relação de preços entre os produtos. No momento, o mercado apresenta menor atratividade para o açúcar, enquanto o etanol tende a ganhar espaço nas usinas, especialmente na região Centro-Sul do país.
Outro fator que pode ampliar a oferta é a produção de etanol de milho, que vem crescendo no Brasil. Analistas do setor indicam que a produção nacional de etanol pode aumentar em mais de quatro bilhões de litros neste ano, contribuindo para ampliar os estoques e fortalecer a presença do biocombustível no mercado.
Mistura maior na gasolina
A competitividade do etanol também deve ser impulsionada pela ampliação do percentual obrigatório do biocombustível na gasolina. Esta será a primeira safra completa com a mistura de 30% de etanol no combustível, percentual que antes era de 27%.
Com maior oferta e maior participação na mistura obrigatória, a expectativa do setor é que o consumo de etanol cresça e que o biocombustível conquiste maior espaço nas vendas em comparação à gasolina.
Embora ainda não seja possível prever os preços exatos nas bombas, representantes do setor acreditam que o etanol terá condições mais favoráveis de competitividade ao longo da safra.
Produção de açúcar pode diminuir
Enquanto o etanol tende a ganhar espaço, a produção de açúcar deve sofrer uma leve redução. Parte da cana que antes era destinada ao produto deve ser redirecionada para a fabricação de biocombustível.
A mudança está ligada principalmente ao cenário internacional, onde os preços do açúcar vêm apresentando níveis menos atrativos, próximos ao custo de produção, o que reduz o incentivo para ampliar a fabricação do produto.
Com isso, a safra 2026/2027 deve reforçar o papel do etanol no mercado energético brasileiro e ampliar sua participação no consumo de combustíveis.











