A jovem cientista brasileira Gabriela Frajtag, de 20 anos, foi reconhecida internacionalmente em um dos principais concursos dedicados à biologia quântica. Em 2 de março de 2026, ela recebeu uma menção honrosa no prêmio promovido pelo Foundational Questions Institute (FQxI), em parceria com o Paradox Science Institute e a instituição filantrópica brasileira Idor Ciência Pioneira. O concurso distribuiu um total de US$ 53 mil (aproximadamente R$ 300 mil) aos melhores ensaios, e Gabriela foi contemplada com US$ 3 mil pelo trabalho intitulado “A vida é quântica?”.
Desde a infância, Gabriela participou de diversas olimpíadas científicas, competições que iam além do currículo escolar, explorando matemática, astronomia, linguística, neurociência e biologia. “Eu era o tipo de estudante que participava de olimpíadas científicas, dessas competições que vão além do que é ensinado na escola. Fiz de tudo: matemática, astronomia, linguística, neurociência, biologia”, afirmou a cientista.
Durante sua formação, Gabriela ingressou na Ilum Escola de Ciência, em Campinas (SP), vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPem). No campus, que abriga o acelerador de elétrons Sirius, um dos mais modernos do mundo, a jovem pôde estudar biologia, física, matemática e ciência de dados ao mesmo tempo, consolidando seu interesse em ciências quânticas aplicadas à vida.
O ponto de virada ocorreu em agosto de 2025, quando Gabriela participou da primeira edição da Escola de Biologia Quântica, realizada em Paraty (RJ), em comemoração ao Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas, proclamado pela UNESCO. Durante uma semana, 40 estudantes e pesquisadores mergulharam em estudos sobre como fenômenos quânticos podem influenciar processos biológicos, como a fotossíntese e a navegação de aves migratórias.
A oportunidade internacional surgiu após contatos feitos em Paraty. Gabriela decidiu escrever um ensaio de perspectiva histórica, abordando a evolução do campo da biologia quântica ao longo das décadas. Apesar de ainda não atuar diretamente na área, o trabalho destacou o potencial da ciência brasileira em participar de debates globais desde cedo.
Em fevereiro de 2026, a jovem concluiu a graduação, formando-se em primeiro lugar na turma, pouco antes do anúncio do reconhecimento internacional. A premiação será entregue online, com divulgação nas redes da instituição e transferência do valor em dinheiro.
Segundo Gabriela, a biologia quântica investiga como fenômenos da mecânica quântica podem influenciar processos biológicos essenciais. Um exemplo é a navegação de aves migratórias, em que a proteína criptocromo, presente nos olhos desses animais, pode formar pares de elétrons correlacionados por entrelaçamento quântico, permitindo que percebam o campo magnético da Terra e se orientem durante longas viagens.
A jovem cientista pretende seguir carreira acadêmica, com mestrado e doutorado no exterior, e eventualmente criar seu próprio laboratório. “É um campo muito novo, com muito espaço para crescer. Participar disso tão cedo é uma responsabilidade e também uma motivação para continuar”, concluiu Gabriela.











