A operadora Oi S.A., tradicional empresa de telecomunicações brasileira, segue atravessando uma fase de fragilidade financeira e jurídica em 2026, com movimentos importantes no seu processo de recuperação judicial e venda de ativos estratégicos para tentar equilibrar suas finanças e manter operações.
Venda de unidade de serviços telefônicos
Na quarta‑feira (11/03), a Oi publicou um edital para a alienação judicial de 100% das ações da sua Unidade Produtiva Isolada (UPI) de Serviços Telefônicos parte do plano de reestruturação aprovado pela justiça. O preço mínimo foi fixado em R$ 60 milhões, e a operação está marcada para o próximo 8 de abril, em um procedimento competitivo de propostas fechadas.
O ativo inclui atividades relacionadas à prestação de telefonia fixa comutada (STFC), equipamentos e infraestrutura, além de obrigações de manutenção de serviços de voz fixa em cerca de 7,4 mil localidades, incluindo serviços de emergência e interconexões até dezembro de 2028. Interessados devem apresentar propostas em dinheiro à vista e comprovar capacidade técnica e regulatória para operar esses serviços.
Recuperação judicial e incertezas
A Oi está em recuperação judicial há vários anos, em um processo que já envolveu disputas judiciais e tentativas de reorganização financeira desde meados da década passada.
Em novembro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do Grupo Oi, após a empresa demonstrar dificuldades em cumprir planos de reestruturação e pagamento de dívidas acumuladas ao longo de anos. No entanto, uma decisão de segunda instância suspendeu a falência e determinou a retomada da recuperação judicial, autorizando que a empresa seguisse com seus planos de reorganização supervisionados pelo tribunal.
Esse contexto mostra que, embora a falência tenha sido declarada em instância inicial, a determinação posterior permitiu que a Oi continuasse operando sob o regime judicial de recuperação, com ativos sendo vendidos e dívidas renegociadas como parte da tentativa de saldar passivos e manter serviços essenciais no país.
Impacto financeiro e de mercado
A prolongada crise econômica da Oi também levou a um rebaixamento do rating de crédito pela agência S&P, após a empresa deixar de pagar juros de títulos da dívida em janeiro de 2026, refletindo a pressão financeira enfrentada pela companhia.
Ao mesmo tempo, medidas como a prorrogação da suspensão do pagamento de dívidas extraconcursais por mais 90 dias — decidida pela Justiça do Rio de Janeiro em janeiro de 2026 mostram que o processo de recuperação ainda está em curso e com decisões importantes sendo tomadas conforme a operadora tenta ganhar fôlego para cumprir seus compromissos.
Venda de ativos e futuro da Oi
Além da UPI de serviços telefônicos, a Oi já negociou ou colocou à venda outros ativos ao longo de sua recuperação, incluindo participação em empresas de infraestrutura como a V.tal cuja fatia de capital detida pela Oi foi autorizada a ser vendida por meio de leilão, com preço mínimo definido em cerca de R$ 12,3 bilhões.
Especialistas apontam que a alienação de ativos é uma estratégia necessária para gerar caixa, reduzir passivos e possibilitar que a companhia continue operando, mesmo que de forma mais enxuta e com menos presença em alguns segmentos tradicionais de telefonia. No entanto, a venda de partes importantes do negócio pode transformar significativamente o papel da Oi no mercado de telecomunicações brasileiro.
Conclusão
A situação da Oi em 2026 é marcada por uma recuperação judicial prolongada, leilões de ativos e decisões judiciais que moldam seu destino. A alienação da UPI Serviços Telefônicos e a continuidade do processo judicial mostram uma empresa em reestruturação, longe de um fim definitivo, mas enfrentando desafios complexos enquanto tenta preservar serviços essenciais e saldar dívidas em um dos setores mais competitivos do país.










