Em janeiro de 2026, os brasileiros resgataram R$ 403,29 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (10). Desde o lançamento do Sistema de Valores a Receber (SVR), já foram devolvidos R$ 13,76 bilhões a clientes, mas ainda há cerca de R$ 10,5 bilhões disponíveis para saque.
O SVR permite que cidadãos consultem se possuem dinheiro parado em bancos, consórcios, financeiras ou corretoras, incluindo valores de pessoas falecidas. Para acessar o sistema, basta informar o CPF e a data de nascimento ou, no caso de empresas, o CNPJ e a data de abertura, mesmo para empresas já encerradas.
Caso existam valores a receber, o sistema informa a quantia, a instituição responsável pela devolução e contatos adicionais. Para solicitar o saque, é necessário fazer login com a conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas.
Formas de resgate
Os valores podem ser recebidos de três formas:
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Contato direto com a instituição responsável;
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Solicitação pelo próprio Sistema de Valores a Receber;
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Solicitação automática, disponível apenas para pessoas físicas com chave Pix do tipo CPF.
O crédito é feito diretamente na conta do cidadão, sem necessidade de registro manual a cada valor. A adesão ao serviço é facultativa.
Origem dos valores
Entre os recursos disponíveis para devolução estão:
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Contas correntes e poupanças encerradas;
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Cotas de capital e rateio de sobras de ex-cooperativas de crédito;
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Valores não resgatados de consórcios encerrados;
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Tarifas cobradas indevidamente;
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Parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
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Contas pré ou pós-pagas encerradas;
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Contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas;
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Outros recursos disponíveis para devolução pelas instituições.
Beneficiários
Até o fim de janeiro, 37,7 milhões de correntistas já haviam resgatado recursos, sendo 33,7 milhões pessoas físicas e 3,97 milhões pessoas jurídicas. Ainda há 54,6 milhões de beneficiários que não sacaram seus valores, dos quais 49,5 milhões são pessoas físicas e 5 milhões pessoas jurídicas.
A maioria tem direito a quantias pequenas: 64,57% dos beneficiários recebem até R$ 10, 23,49% de R$ 10,01 a R$ 100, 10,04% de R$ 100,01 a R$ 1 mil e apenas 1,9% recebem mais de R$ 1 mil.
Alerta sobre golpes
O Banco Central alerta que o serviço é totalmente gratuito e recomenda cuidado com golpistas que se oferecem para intermediar resgates. O BC não envia links nem solicita dados pessoais ou senhas, e ninguém está autorizado a fazer esse tipo de pedido.










