Nesta segunda‑feira, 09/03, António José Seguro (PS) tomou posse como 21.º Presidente da República Portuguesa em cerimônia solene realizada na Assembleia da República, em Lisboa. A cerimônia marca a transição formal da chefia do Estado, com Marcelo Rebelo de Sousa (PSD) deixando definitivamente o cargo após dez anos à frente da Presidência da República.
A sessão solene teve início às 10h00 (hora de Lisboa), com Seguro prestando o juramento de compromisso sobre a Constituição da República Portuguesa perante deputados, autoridades e convidados internacionais, incluindo chefes de Estado de países lusófonos e o Rei de Espanha, Felipe VI, entre outras personalidades presentes para acompanhar a cerimônia.
Transição e protocolo da cerimônia
A cerimônia começou com a abertura oficial dos trabalhos pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar‑Branco, que iniciou a sessão solene antes de receber o chefe de Estado cessante, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, e o presidente eleito, António José Seguro. O evento foi interrompido brevemente para o protocolo de entrada dos convidados e retomado para o momento central: o juramento constitucional.
Após o juramento, Seguro fez sua primeira declaração como Presidente da República, assumindo formalmente as funções atribuídas pela Constituição portuguesa. Logo após, ocorreu a leitura e assinatura do ato de investidura e uma salva de 21 tiros em sinal de homenagem, seguida da execução do hino nacional pela Banda da Guarda Nacional Republicana.
Programação oficial do dia
O calendário oficial da tomada de posse inclui, ainda, uma série de eventos previstos ao longo do dia:
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Visita ao Mosteiro dos Jerónimos, incluindo homenagem com a colocação de uma coroa de flores.
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Abertura dos jardins do Palácio de Belém à população, um gesto simbólico de aproximação entre o novo chefe de Estado e a sociedade portuguesa.
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Encontro com jovens no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), instituição em que Seguro já atuou como docente.
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Condecoração de Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio Nacional da Ajuda, em reconhecimento aos serviços prestados durante seus dois mandatos.
As cerimônias de posse continuam também na terça‑feira, com deslocações que incluem visitas às localidades de Arganil, Guimarães e Porto, reforçando o compromisso de uma presidência marcada pela proximidade e presença em diferentes regiões do país.
Vitória nas eleições e contexto político
António José Seguro foi eleito nas eleições presidenciais de 8 de fevereiro de 2026, obtendo cerca de 66,84% dos votos expressos, derrotando o candidato André Ventura na segunda volta do pleito. A votação de Seguro representou o maior número de votos já obtido por um candidato nas eleições presidenciais em Portugal, com mais de 3,5 milhões de votos.
A eleição de Seguro ocorre em um cenário político em que a presidência volta a ser ocupada por um político de centro‑esquerda após duas décadas de chefes de Estado vinculados a correntes de centro‑direita. A sua campanha destacou temas como diálogo institucional, reforço democrático e estabilidade política, com compromisso explícito de atuar de forma moderadora em relação ao Governo e ao Parlamento.
Encerramento dos mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa, historicamente ligado ao Partido Social Democrata (PSD), encerra hoje sua trajetória como presidente após dez anos no cargo. Conhecido por seu estilo próximo da população e presença frequente em iniciativas sociais e institucionais, Marcelo participou da cerimônia até o momento em que o novo chefe de Estado prestou juramento e assumiu oficialmente o cargo.
Ao deixar o Palácio de São Bento após o término da cerimônia, Marcelo será oficialmente designado como ex‑presidente da República, encerrando um ciclo que marcou a política portuguesa no início deste século.










